Steve Banon, chegou?

Quero contar-vos algo muito sério. Não sei se aconteceu, se aconteceu a esquerda caiu na primeira casca de banana de Steve Bannon, o líder da extrema direita, que pode ter chegado a Portugal. Chegou há meses à Europa tendo como função organizar a extrema-direita. Foi quem ajudou a eleger Trump e Bolsonaro.

Não estou preocupada agora com a força da extrema-direita em Portugal, são poucos, fortemente associados a actividades criminosas, sem propostas sofisticas para o país. Mas isto pode mudar, não a curto mas a médio prazo. E se sim, estamos em perigo, como país civilizado. Este bloqueio mobilizou pessoas comuns em defesa de proposta justas, inspirados na França – salário mínimo, descida de impostos. E foi desmobilizado pelos media que aderiram, junto com o Governo, à ideia de que esta era uma manifestação de extrema-direita. Ao insistentemente dizerem que era da extrema direita desmobilizavam o sector de esquerda que poderia participar massivamente. Mas ao falarem tanto da manifestação, os media e o Governo acabaram por a mobilizar.

Ora, esta pode ter sido – pode, não sabemos – uma táctica de contra informação de guerra: é na base desta contra-informação, adquirida no Vietnam, que trabalham a Cambridge Analytica e Steve Bannon, o estratega que levou Trump e Bolsonaro ao poder. A ideia é a seguinte: pega-se num mal estar social real, mobilizador, diz-se que é de extrema-direita, a esquerda sai, e fica a direita extrema a dirigir. É curioso que, se não me falha a memória, o primeiro jornal em Portugal a dizer que o protesto era de extrema direita foi justamente o Correio da Manhã, o jornal mais à direita em Portugal. .

A minha opinião sobre isto, preocupada com a democracia, é que a esquerda e sectores democráticos devem encabeçar protestos justos, e não deixar esse espaço vazio para ser ocupado. Sair de um lugar é garantir que outros o ocupam porque a política tem “horror ao vazio”.

O exemplo francês de como a extrema-direita foi derrotada é um bom exemplo. O protesto começou, os media informaram que era de extrema-direita, assim estiveram 3 semanas, mas o protesto aumentou, os sindicatos passado uns dias aderiram bem como os partidos de esquerda, e no fim Marie Le Pen saiu das manifestações dizendo que já não as apoiava…As manifestações resultaram no aumento do salário mínimo, e cortes de impostos, e uma crise neoliberal séria na UE porque Macrón usou o défice para tal e está impossibilitado de aplicar mais medidas neoliberais, daqui para a frente.

Como tudo isto se baseia em premissas cujos factos na realidade se desconhecem, tal tese por agora pertence ao campo da especulação, ou mesmo da “teoria da conspiração”, que, confesso, não é a minha especialidade. As práticas de contra informação de guerra da CA e Steve Banon essas existem, estão publicadas e baseiam-se de facto no Vietnam. Se entraram agora em Portugal não posso afirmar. Também não acho que foi isso, nem principalmente isso, que levou Trump ou Bolsonaro ao poder. Mas esconder essa possibilidade na equação seria um erro.

Seja como for, tantos aqui me perguntaram se eu não estava na minha página a dar espaço a uma manifestação de extrema-direita, que se devia ignorar. Ora, não se pode ignorar algo que abre os telejornais há dias. Primeiro eu não acho que a minha página sirva para proselitismo, eu escrevo sobre a realidade, mesmo quando ela não é o que eu desejaria. Segundo, mantenho inalterada a minha posição inicial – sou a favor de populações que lutam por um sistema fiscal justo e salários decentes. Não há manifestações em todas as cidades do país de extrema direita – isso é ridículo. São pessoas humildes a enfrentar um custo de vida altíssimo. Recuso-me como cientista social a simplificar isto, e como cidadã a ignorar a dificuldade da vida real das populações.

E sou contra a extrema-direita, que na realidade não é sequer uma ideologia tout court como tantos pensam, mas uma associação criminosa. Um perigo para a sociedade porque não se baseia em propostas universais para o bem estar geral, através da luta política organizada, mas na defesa da segregação social, aplicada através da violência.

Então, primeira lição: nada é apolítico e todos podemos ser manipulados. Protestar organizadamente a favor do salário mínimo e contra impostos ao consumo é de esquerda, civilizador. Bater em imigrantes contra o “sistema” é de extrema-direita, e um perigo para a vida em sociedade. Toda a política tem um lado. Às vezes nem sempre sabemos bem qual porque tudo aparece confuso, são assim os movimentos sociais. E mesmo os mais espertos caem na casca de banana – pode dar-se o caso que enquanto se riem com sobranceira do “povo ignorante manipulado”, vestido de amarelo, estejam eles próprios a ser alvo de manipulação, convocados a sair pelo lado oposto do campo ao que o inimigo entrou.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s