Burn-out docente em Portugal

Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a transcrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte?”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. É exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho. (…)
 
O meu discurso completo de apresentação do estudo do burnout em Portugal nos docentes. Este discurso é fruto da reflexão e conclusão colectivas de toda a equipa.
 
«Este estudo começa com uma citação de um médico. A primeira vez que se falou em burnout é através de um médico que entra em exaustão e ele vai tratar do seu próprio burnout a tratar de leprosos. A cuidar dos outros, em cooperação. Eu também acho que já estaria em burnout se não estivesse a trabalhar com uma equipa académica e não académica que é absolutamente maravilhosa e onde conseguimos um feito. Este trabalho foi escrito conjuntamente. Foi uma escrita colectiva que combina diversas áreas da ciência. Por isso chegamos um pouco mais além na nossa capacidade. Começámos a estudar o burnout e nem temos a certeza se este conceito existe de facto. Isto não diminui nada a qualidade científica deste trabalho nem o estado de doença dos professores, em que eles se encontram.
 
Não tivemos medo nenhum de colocar em causa dogmas científicos. E a única forma de fazer ciência é fazê-lo neste diálogo. O estudo tem uma primeira parte patenteada, reconhecida internacionalmente por várias instituições. Por exemplo, em França já se propôs que isto entre como doença registada. Esse estudo foi feito a estes docentes. Os resultados são esmagadores e amplamente conhecidos. Temos quase 80% dos professores em exaustão emocional. Temos perto de 50% que não se realizam profissionalmente e temos um dado muito curioso que é o de que só cerca de 10% dos professores entraram em despersonalização. Ou seja, não passaram, na maioria, a ver os alunos como coisas. E isso é um processo de adoecimento no trabalho. Isso não significa que estão menos doentes. Significa que há um processo de implosão do sector e não de explosão. Portanto, essa doença não é no ódio ou no desinteresse ou na alienação dos vossos alunos, como existe noutros casos de burnout . Ela é um processo implosivo. É uma doença dos professores que também se manifesta e isso é visível no inquérito numa forte competição, desconfiança e mal-estar, fundamentalmente com o não reconhecimento público, o que imediatamente apela ao Estado e à comunicação social, com as chefias mas também entre colegas. Não temos qualquer dúvida que a divisão dos trabalhadores em carreiras dos professores em carreiras docentes distintas, nomeadamente em titulares e não titulares, mas também noutras categorias (precário e fixo) leva a uma grande desagregação e a um grande mal-estar dentro do corpo docente.
 
Há outros dados particularmente relevantes. 94% dos professores querem ir para a reforma.
 
Uma história com piada, por que agora parece que toda a gente quer ir para a reforma, o ápice da vida: “eu quero deixar de trabalhar!”.
 
Isto não era assim há 20 ou 30 anos atrás. Aliás, nós tínhamos um padrão até contrário. As pessoas iam para a reforma e frequentemente deprimiam. Agora, têm uma sensação de alforria, de libertação. Isto é muito triste porquê? Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a escrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. È fundamental do ponto de vista exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho.
 
Este sinal de 84% dos professores quererem ir para a reforma, não tem um significado clínico, analítico e social inferior aos 78% em exaustão emocional. Isto significa que o trabalho se transformou numa tortura. O trabalho é um factor de sofrimento porquê?
 
É a isto que eu agora queria chegar. Quero dar-vos mais um dado esmagador. Quase 20% dos professores está preocupado com o seu consumo de álcool, drogas e medicamentos. Este número corresponde exatamente àqueles que estão em burnout extremo no resultado psicométrico. Nós frequentemente ligamos a televisão e ouvimos falar que os professores deram falsas baixas médicas. Ora, o que queremos chamar a atenção é que nós temos uma percentagem dos trabalhadores a trabalhar e só conseguem trabalhar porque estão em auto doping, só porque estão medicados.. Nós temos professores muito doentes, extremamente doentes, que só está a trabalhar porque estão medicados. Este doping não é, em geral, nos estudos internacionais, diferente. Os valores aliás são idênticos de Portugal para outros países. Não são, na maioria dos casos, comportamentos aditivos. É mesmo tomar a medicação para conseguir manter-se no trabalho. Como sabem, o relatório refere que há uma relação direta entre a exaustão emocional e a idade e, portanto, seria fácil nós conseguirmos concluir que as pessoas estão mais cansadas, têm menos energia e por isso estão mais doentes.
 
Essa não é a nossa conclusão do estudo. A partir de um certo nível de cansaço é impossível as pessoas não começarem a sentir sintomas depressivos e outros. Há um nível de cansaço objectivo que é destrutivo. Porém, o que nós estamos a falar fundamentalmente é de organização do trabalho. Na nossa opinião concluímos do ponto de vista analítico que a maioria dos professores com mais de 55 anos tem mais exaustão emocional porque há uma dissociação entre as suas expectativas no local de trabalho e as realmente vividas. Porquê? Porque esses professores são, maioritariamente, uma geração que começou a trabalhar após o 25 de Abril onde o espectro da autodeterminação persecução de uma Educação baseada num ensino universal transmitido aos alunos era a pedra de toque. Estes professores, ao contrário dos mais novos, assistiram a um terramoto na vida deles. De repente passaram de uma gestão democrática para uma gestão hierárquica e deixaram de trabalhar com alunos num ensino unificado, denso, em que se queria a transformação do aluno do ponto de vista da aquisição de conhecimentos para produzir o chamado capital humano. Ou seja, força de trabalho para o mercado. Neste terramoto os dois factores estão ligados.
 
É impossível convencer um professor a olhar para aquele aluno e a dizer “eu vou produzir uma força de trabalho para entrar rapidamente para o mercado, devidamente adaptado ao mercado de trabalho”,. Nós todos temos de trabalhar, seja em que sociedade for. O trabalho é necessário. O trabalho é produção. Portanto é normal que nós, quando produzimos alunos, quando educamos, também estejamos a pensar na produção da sociedade. A questão é que a escola está a produzir para o mercado capitalista e, neste caso, especificamente português. Daí a imensa pressão pela flexibilização e pela municipalização, porque as empresas querem que sistematicamente o ministério adapte a educação ao mercado de trabalho.
 
O mercado de trabalho é a coisa mais volátil e flexível que pode haver. Para terem uma ideia, a média da taxa de retorno dos investimentos em Inglaterra é de 18 meses. Um empresário quando investe numa determinada empresa quer retorno ao final de 18 meses. E ao final de 18 meses pode abandonar essa empresa e ir para outra. Isto significa que há uma grande pressão sobre as necessidades de formação das forças de trabalho, o que passa naturalmente pelo ministério da Educação, pelos cursos de formação profissional, pelos testes psicotécnicos… Há duas necessidades altamente perniciosas que têm a ver com as necessidades do mercado de trabalho, mas também do desemprego. Eu sei que isto parece ser tremendamente assustador.
 
As políticas governamentais nas economias liberais não são só destinadas a produzir para o mercado de trabalho, também são para o desemprego, porque o desemprego é o regulador do salário. Quando se sobem os salários num determinado sector, há uma pressão para entrarem mais alunos nesse sector para fazer cair o salário. É o caso clássico dos médicos em Portugal. Qual é a luta eterna entre o ministério e a ordem? A ordem não quer que entrem mais médicos porque essa é a forma de manter protegido o salário e o ministério quer que entrem mais médicos porque cai o salário. Significa que os professores estão permanente emente assediados com as transformações do mercado flexível. Em Portugal, ainda por cima, isto é pior porque na divisão internacional do trabalho, Portugal prima por baixas qualificações. Portanto porque é que as empresas estão sempre a dizer às escolas que precisam barmans, gente para mudar camas nos hotéis, operários de tarefas simplificadas. Do outro lado estão os professores a dizer que estão aí para ensina história, ensinar matemática, quero ter tempo de ensinar física, de que resulta uma série de dinâmicas que resultam da multiplicação de testes e exames e com a expropriação da autonomia dos professores no sentido de cada vez mais deixarem de definir as matérias que vão dar dentro da sala de aula e como vão dá-las, para cada vez mais isso vir de fora: o programa, restrições curriculares… os professores entram nas escolas como se entrassem numa fábrica que produz em série e peças todas iguais, segundo um modelo standard. Este ´e o significado da proletarização que está a ocorrer, também sobre a classe docente. Obviamente que vem acompanhada de um desinteresse e de uma desmoralização generalizados. Pois se eu penso em como dar uma aula e me vejo confrontada com dar pela vigésima vez a mesma coisa, com tudo idêntico e altamente padronizado!… As formas de organização do trabalho que impuseram aos professores, burocratizando-os, fazendo trabalho administrativo.
 
O salário está altamente relacionado com os , com mais aliunos por turmanham para o que fazeemou a recuperaçtamente portugu20% dos professoresoi uyma escrita colectiva queíndices de adoecimento no trabalho e no vosso inquérito isso fica muito explícito. A queda salarial é muito mais pronunciada do que questões avançadas como a contagem do tempo de serviço ou a recuperação da carreira, porque se calcularem aquilo que é o salário relativo, o vosso salário caíu drasticamente, ou seja, aquilo que os professores ganham para o que fazem (hoje têm o dobro, o triplo ou o quádruplo das tarefas), com mais alunos por turma, é a quantidade de trabalho que vocês fazem. Há uma queda real do salário e há também uma queda no salário relativo (quanto é que eu recebo face àquilo que eu produzo). Isso levou a que a escola deixasse de ser um espaço de onde os professores possam sair e inovar pedagogicamente. Hoje em dia não se consegue discutir pedagogia… aliás, a pedagogia resume-se a “vou rezar a deus para ter os meus alunos muito disciplinados e bem educados”, o que é virtualmente impossível, pois eles estão em criação, em formação, estão a ser educados, ou então vou pô-los na rua. A pedagogia está encapsulada porque os professores não tem tempo nem formas de discutir pedagogia quando a própria forma de organização do trabalho está direcionada para esta produção das peças todas iguais.
 
Nós tivemos a participação do Duarte Rolo e do Roberto della Santa que foi absolutamente fundamental. Não só pela crítica ao burnout psicométrico tout court, como adicionar as questões de vida, como a crítica à razão instrumental que hoje domina todas as ciências sociais.
 
A Educação é um saber fazer é um aprendendo fazendo. O sistema fabril da escola impede esta pedagogia. Isto significa que a vossa sensação de falhanço é enorme. Eu sou muito crítica do PISA da OCDE. A OCDE é uma organização dos estados ricos, altamente influenciada por políticas empresariais, o PISA não é o modelo idóneo de avaliação do sucesso escolar. Tem de haver uma crítica porque a determinada altura nós usamos sempre a metodologia da OCDE para medir o sucesso escolar. Ora, a metodologia da OCDE é a da aquisição de tarefas e competências para o mercado de trabalho. Não mede o ensino concentrado, abstracto a razão crítica… Esta ausência de praxis leva-nos a ser acríticos perante o resultado da existência de 50% de chumbos a português e matemática. Porque a análise imediata é a de que os chumbos existem porque os professores são maus. É possível martelar números noutras áreas e nestas disciplinas que lidam com um alto conteúdo abstracto e analítico não há como martelar números. Isto significa (eu sei que os professores utilizam estes dados para falar de sucesso escolar) que se Portugal continuar a tratar os seus professores como trata hoje, daqui a 20 anos vamos ter um ensino devastado. Os resultados que temos hoje no ensino no nosso país só é possível devido ao tipo de ensino que tivemos a seguir ao 25 de Abril. Até porque é impossível metodologicamente, dizer que os resultados de hoje têm a ver com políticas de há três anos atrás.
 
Isso não existe, da mesma maneira que os governos usarem a esperança média de vida para dizer que o serviço nacional de saúde está muito bom, quando nós só vamos saber se o serviço nacional de saúde está muito bom hoje, através da esperança média de vida, daqui a 40 anos.
 
Hoje, o ensino de que nos podemos orgulhar é o resultado das políticas, da gestão democrática e do ensino unificado e universal. Não é o ensino da flexibilização de há três anos atrás. Isso e uma pirueta estatística que está sempre a associar a políticas imediatas que não corresponde à verdade.
 
A sensação de falhanço dos professores é real. Assim como esse sentimento de que não se está a educar e a ensinar bem os alunos é verdadeiro. Os pais também acham que os filhos não estão a aprender e têm razão. Só que depois atiram a responsabilizar aquele professor individualmente considerado como o responsável do falhanço, porque não têm a capacidade de fazer a distinção entre os responsáveis e aquele que está ali à sua frente. Os governos chegaram ao cúmulo de arranjar maneira de os pais estarem representados no conselho de turma em nada contribuindo para resolver os problemas daquele ou daqueles professores. Imaginem o que era eu ter direito de dizer aos médicos com é que devem fazer-me uma cirurgia, do tipo “ai não, não! Eu quero dizer como se faz. Eu quero ter direito de voto.”. isto não tem nada a ver com a democracia. Isto é um método de vigilância dos professores.
 
Temos alterações significativas nas escolas cujos resultados virão aí. Já se nota ao nível do raciocínio abstracto e analítico. Coisa de que os governos se servem para ainda desvalorizar mais, agravar mais, reduzir mais as condições de trabalho dos professores e até os salários. Quando isto não se resolve assim, mas sim pela via contrária.
 
Um falhanço que vai sendo transferido de nível de ensino para nível de ensino porque a tendência para a simplificação dificulta a capacidade de compreensão, de leitura, de análise e de assimilação. Para não se falar da capacidade de estar várias horas a estudar uma determinada matéria e que a compensação virá passadas essas horas.
 
Talvez nós estejamos perante, se não o maior, um dos maiores estudos feitos a uma profissão com esta extensão que já foi alguma vez realizado. Estamos a falar de quase 160 questões sobre os mais múltiplos aspectos da vida e do trabalho, numa colectânea de perto de 2 milhões de dados. É por isso que nós somos muito cautelosos, acreditando que o resultado que hoje apresentamos é o resultado final, mas apenas de uma parte dos dados que foram tratados. Há muito ainda por tratar, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista analítico.»
Advertisements

4 thoughts on “Burn-out docente em Portugal

  1. Professores do Ensino Secundário,

    Fiquem em casa, que quando saem da mesma, só fazem é m**da. Vejam os resultados do vosso “sistema educativo”…

    Gerações inteiras de gente domesticada e acéfala, demasiado estúpida para avançar com soluções para os graves (e que chegam a ser ridículos) problemas sociais que existem. (Ex: Mas que raio de gente é que tolera, durante 2 décadas, andar a trabalhar com contratos que cessam ao fim de cada dia? Só ao fim de duas décadas é que acharam que isso está errado?)

    A razão pela qual as pessoas não se rebelam, é porque foram domesticadas. E, quem é que as domesticou?

    A razão pela qual as pessoas são cada vez mais estúpidas, é porque nunca são ensinadas e estimuladas a pensar por si próprias – e porque o Conhecimento ao qual são expostas é cada vez mais reduzido. E, quem são os responsáveis por isso?

    Vocês são piores do que guardas prisionais – pois, encarceram o que de mais fundamental e sagrado qualquer ser humano tem, que é o Desenvolvimento da sua Personalidade e a sua própria Liberdade de Pensamento.

    Fiquem em casa e editar páginas na Wikipedia ou outros sítios na Internet, que dessa maneira talvez venham a ter alguma utilidade. Pois, qualquer criança que atinja a puberdade é já capaz de ler livros por si própria e de tirar as suas próprias dúvidas em dicionários e enciclopédias. E, para qualquer outra dúvida que surja, se tiver pais que tenham sido bem educados, também os últimos lhe poderão ajudar a tirá-la.

    Aproveitem também, já agora, para ler o que tem a dizer um autor que foi nomeado Professor do Ano, nos EUA, sobre o quão nocivo se deu ele conta que é o vosso sistema “educativo”: https://www.wook.pt/livro/compreender-a-escola-de-hoje-john-taylor-gatto/170407

    (A ligação anterior é para a tradução em português do mais conhecido livro deste autor. Se não forem capazes de perceber o inglês dos seus outros livros e das muito boas entrevistas a ele feitas que estão disponíveis no YouTube, adivinhem porque razão não conseguem fazer tal coisa…)

    Solidariedade para com todos os trabalhadores que lutam pelos seus direitos, excepto quem os domesticou e estupidificou!

    Greve eterna aos professores do Secundário e afins! (h*tps://blackfernando.blogs.sapo.pt/greve-eterna-aos-professores-142881)

    Assinado,

    Alguém que sempre odiou a Escola (e detestou a experiência) e que sempre preferiu aprender por si próprio.

  2. onde, em que lugar, não existe burnt out de professores, de enfermeiros, etc…? que treta…

    https://www.learnersedgeinc.com/blog/causes-of-teacher-burnout

    https://www.theguardian.com/education/2018/may/13/teacher-burnout-shortages-recruitment-problems-budget-cuts

    https://educationcentral.co.nz/preventing-teacher-burnout-lessons-learned-from-the-christchurch-earthquakes/

    https://www.nzherald.co.nz/nz/news/article.cfm?c_id=1&objectid=12159129

    o seu estudo abrangeu também os professores do privado? e, se inclui o privado, como se comparam os resultados?

    e, estando exaustos, são todos classificados como “bons”, pelo actual método de avaliação de desempenho, incluindo os dirigentes sindicais a tempo inteiro, que também progridem na carreira, apesar de alguns estarem há mais de 20 anos a desempenhar tarefas sindicais a tempo inteiro.

    fui estudante durante muitos anos, completei os cursos que frequentei, tive muitos professores e eventualmente encontrei 25% que poderei considerar bons.

    e não penso que algum deles estivesse mais exausto que os meus pais, que não eram professores.

  3. voltando ao tema.
    em Portugal creio que existem cerca de 145 000 professores no activo, sem contar com o ensino superior / universitário.
    quantos destes professores o são por vocação?
    muitos professores que conheço escolheram essa profissão porque não conseguiram outra que lhes proporcionasse as mesmas condições, e não por vocação. e aqui pode estar uma das razões do burnt out dos professores, que se encontra em qualquer parte do mundo.
    o que diz o seu estudo sobre este tema?

    • Caro Carlos Cunha… tenho pouco mais de 30 anos e posso dizer que os meus colegas fomos gozados nas praxes porque queriamos ser professores. Por isso na malta mais nova muitos queriam ser… e muitos desde 2012 desistiram da profissão porque nao seria certo ter que pagar para trabalhar… quantos bons professores se perderam… até aqueles que para ganhar tempo aproveitaram para se Doutorar… sim porque nós enquanto esperavamos fomos tirando mestrados e especializações…. eu por exemplo decidi ir para o Reino Unido dar aulas, em que estudei e dediquei-me a conhecer outros curriculos e outras prespetivas… e sabe ainda hoje recebo propostas para voltar. Mais que isso eu e os meus colegas, estamos absovidos por privados (e olhe que não é facil… quando temos que fazer o cliente feliz e temos que fazer o que o patrao quer!) mas neste momento nao temos opção.
      O problema é que com o desinteresse na profissão, tudo que expoe acima é para voltar a trazer o problema dos engenheiros, arquitectos que nao eram aceites por ninguém… e neste momentto so os profissionalizados é que entram…

      Relativamente ao cansaço… a larga maioria dos professores viaja diariamente ou semanalmente para o seu lugar de trabalho… e isto acaba por trazer cansaço e saturação a qualquer um… mais que isso o governo introduziu muita papelada…. e tirou horas para fazer essa papelada… ou seja têm turmas, e para essas são projectos relatorios testes aulas para preparar, fichas de exercisios, investigaçao de materiais actualizados… depois há as reuniões que sao feitas das 18 as 21 horas, fora do horario de trabalho que nao são pagas nem a um centimo mais… nao falemos que ao contrario dos senhores que trabalham onde quer que seja, têm o material todo de graça o professor, existem escolas em que o professor tem direito a apenas 100 copias por ano (incluindo testes!!!). Outra coisa, é falta de respeito e de educação que existe nas escolas e pior nada se pode fazer aos meninos pois podem ficar traumatizados, mesmo que traumatizem outros!

      O problema é que um bom ensino exige uma boa estrutura (que não há em portugal) bons curriculos (que não há) mas quem pagará a factura seremos todos nós…

      Eu estou a fazer um estudo sobre os privados, o publico, cá dentro e lá fora e sae que mais… nos privados o nivel de medo panico e stress é o mesmo apenas aumenta o nivel de intimidação… nada mais!!

      Assinado: Por alguém que sempre sonhou ser professora, que é professora e sempre que conseguiu ter o carinho e respeito dos alunos, mas devido a toda a vivencia como professora e desrespeito por parte da sociedade, se prepara para abandonar o sonho, porque tb tenho direito de estar com a minha familia, amigos e trabalhar 8 horas por dia… em vez de fazer maratonas das 7 as 3 da manha d dia seguinte todos os dias.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s