Economie politique du bonheur

“Uma nova economia política de felicidade… É uma ideia que hoje pode parecer um pouco original e até mesmo utópica, enquanto em verdade é realmente banal. Tudo o que isso significa é que a economia, como é agora, de acordo com a definição dominante, leva em conta custos, lucros, balancete etc. mas apaga custos sociais e lucros sociais, tudo o que não é quantificável, tudo que não é calculável, tudo o que pode não pode ser antecipado por computação, etc. Como resultado, subestimamos severamente o que são custos reais e superestimamos a relação custo-benefício. Por exemplo, se realmente levássemos em conta – isto é apenas um exemplo – o custo da violência urbana… Quando os governos europeus ou outros governos pedem aos sociólogos que estudem a violência nas escolas, nos banlieues, sempre há dinheiro para isso… O que eles querem? Receitas para fazer a violência desaparecer. Precisamos de mais policiais, mais assistentes sociais, mais professores? A escola desempenha um papel social na violência? Mas como protegemos as escolas? Essas são as questões que são levantadas. De fato, eles excluem sistematicamente a questão de saber se as causas da violência não residem fora desse universo, em coisas que são totalmente óbvias, como a taxa de desemprego, insegurança no emprego, insegurança existencial sobre o destino, o fato de o porvir ser absolutamente incerto. A eliminação da violência. na escola, o fato de que algumas crianças, por causa de sua origem, tanto social quanto étnica, sendo as duas freqüentemente ligadas, estão fadadas a serem eliminadas pelo sistema escolar… As causas da violência residem em toda a estrutura social. O que não é percebido é que se realiza economia de um lado: como quando dizem “vamos cortar custos”, “vamos reduzir”, “vamos demitir 2.000 pessoas para cortar custos de produção e sermos competitivos no mercado mundial”, as economias feitas de um lado são pagas no outro extremo. As 2.000 pessoas que são demitidas, especialmente se forem jovens, tomarão tranquilizantes, tornar-se-ão alcoólatras, usarão drogas, tornar-se-ão traficantes e depois, eventualmente, assassinos e manterão a polícia no trabalho duro. Se equilibrarmos os custos sociais induzidos por uma abordagem puramente econômica à economia de custos, é fácil ver qual é a economia ruim. Isso é tudo. O que temos é uma economia muito ruim, baseada na dissociação do econômico e do social. Mas o que é social é econômico. Não há nada que esteja fora dessa economia ampliada: tristeza, alegria, felicidade, prazer na vida, o prazer de andar pelas ruas sem ser atacado, a qualidade do ar que respiramos. Tudo isso pertence, na verdade, à economia.”

Pierre Bourdieu

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s