A Teoria Marecos

Primeiro uma notícia bonita, o artigo que fiz para o Público sobre os estivadores já foi publicado na Alemanha, Reino Unido, Brasil, Hungria, Suiça, França e Austrália. Os estivadores de Setúbal são um exemplo mundial.

Agora curtos esclarecimentos sobre alguns mitos:

O SEAL – Sindicato, apresentou a proposta de 56 eventuais a contratar. A empresa não podia. Agora, já pode. O argumento da greve foi o único que a empresa compreendeu. Podemos dizer que de livre e espontânea pressão e depois de terem criado o caos no país, ganharam bom senso. Nem tanto. É que entretanto a Operestiva, do advogado Diogo Marecos, assinou contrato durante a greve com 10 trabalhadores, e quer incluir esses no número de 56 a contratar. O SEAL não aceita, e bem. Imaginem no vosso trabalho amanhã entram em greve por contratações, o patrão contrata outros enquanto estão em greve (ilegal, aliás) e depois diz que faz um acordo de contratar…os que já contratou. Faz parte da Teoria Marecos, uma teoria de selvajaria social onde não há leis e moral. Vale tudo, até arrancar olhos.

A segunda ideia da Teoria Marecos é que estes estivadores vão ser contratados pelo salário inicial, como se tivessem começado a trabalhar hoje. Ahahahahah. A teoria Marecos é uma delícia. Vejamos, eles estão a trabalhar há 20 anos. Logo, não vão para o escalão inicial. Aliás António Costa tem estado ao lado da Teoria Marecos também – na teoria e na força, como vimos -, e lembrou-se de dizer publicamente durante a greve que os estivadores podiam “concorrer” ao lugar. Primeiro não se concorre – isso é na Função Pública. Costa, há muitos anos a fazer carreira exclusiva na política dependente do dinheiro do Estado (boa pergunta, qual é a profissão de Costa?), teve um lapsos linguae e pensou que isto era tudo o mesmo. Foi mais longe, esqueceu-se que ninguém concorre a um lugar que é seu, já que a lei prevê que há 4 séculos eles deviam ter sido contratados porque fazem por décadas para a mesma empresa todos os dias o mesmo.

A terceira Teoria Marecos é que acha indecente o SEAL escolher quem vai ser contratado. Vejamos, o SEAL não disse quem ia ser contratado, disse um número – 56: Mas disse mais, os dirigentes desta greve não podem ficar de fora das contratações porque deram a cara e lutaram. Alguns deles aliás estão entre aqueles que Marecos aliciou com um contacto fixo e recusaram dizendo «Todos, por todos».

As necessidades reais calculadas em estudo pelo SEAL são de 90 trabalhadores fixos. Calculados pelos números da própria empresa. Os fixos do SEAL abdicam de fazer trabalho extraordinário, esses 56, desde que sejam colocados mais 37 sempre a fazê-lo. Segundo a teoria Marecos isso não pode ser porque ao colocarem sempre os mesmo 37 eventuais a fazer trabalho – antes dos outros – ia-se provar que eles eram sempre necessários. Então a teoria Marecos diz o seguinte: temos que colocar 150 a fazer o trabalho de 37 rotativamente e assim não fica provado que são permanentes.

Ora, o Porto de Setúbal está agora totalmente parado – depois de António Costa ter enviado a ACT…ops…perdão…o corpo de intervenção, todos os outros eventuais entraram em greve em solidariedade. Não entra um fósforo nem sai um pneu. O que isto prova? Que o Porto de Setúbal tem uma necessidade permanente dos seus trabalhadores já que eles, eventuais, quando deixam eventualmente de trabalhar o porto não consegue mover um fio de cabelo com os seus 30 fixos.

2 thoughts on “A Teoria Marecos

  1. Não há nada para negociar, após anos e anos de abusos já não há nada para negociar, talvez tenha sido isto que o senhor Diogo Marecos não tenha percebido.

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