Greve, claro.

Andamos a discutir se Setúbal é uma greve e se o Governo fez uma operação ilegal. Nós estudamos greves de há 200 anos para cá. Em Portugal nesses 2 séculos mais coisa menos coisa há muitos mais anos com a greve proibida ( e omissa) por lei do que autorizada. Uma greve é uma paralisação organizada do trabalho – se é legal ou ilegal não deixa de ser greve. Não é o regime político nem a lei que define se uma greve o é ou não. Setúbal é uma greve – das mais combativas e especiais pelos seus contornos, que o país conheceu. E o PM fez uma ação de ao serviço de uma empresa privada e com dinheiros públicos fazer entrar fura-greves. A legalidade de ambos os actos merece ser debatida, e deve porque há clara violação do direito à greve, mas a realidade supera a legalidade. Nunca deixámos de como historiadores chamar greves às paralisações de trabalhadores na ditadura – e no entanto messes 48 anos de poder dirigido pela extrema direita em Portugal a greve era ilegal e os grevistas sujeitos a prisão, despedimento, exílio e clandestinidade. Nunca esperaram a bênção do regime para definir em que contornos lutaram por direitos que mais tarde, na revolução, foram consagrados. Não são direitos adquiridos. Foram todos conquistados – contra a lei, também. A história das greves tem sido a história do progresso e da democracia. Democracia que hoje tantos governantes dizem defender ao microfone, enquanto por baixo assinam a ordem de envio do corpo de intervenção contra os legítimos herdeiros dessa democracia. Quando se fala do perigo da extrema direita actual e se acusa trabalhadores desesperados de incentivar o populismo esquece-se de referir os trabalhadores como os de Setúbal que dão, sem dinheiro e salário na conta há um mês, uma lição de democracia a governantes desesperados. E nada tem contribuído tanto para o avanço da extrema direita no mundo como o despudor com que Governos e Estado se colocam ao serviços de multinacionais esmagando trabalhadores indefesos numa teia de negócios obscena. Felizmente em Portugal um sindicato democrático tem sido uma barreira ao desespero dos trabalhadores – foi o sindicato que Costa escolheu atacar. Eles responderam com democracia e cooperação, e com a dignidade dos gigantes: “a precariedade vai acabar, ela não é nem para os estivadores nem para ninguém!”. São um exemplo. Para todo o movimento sindical português.

2 thoughts on “Greve, claro.

  1. Drª Raquel Varela por favor deixe-se tanta conversa para defender greves como esta que sabe muito bem que prejudica o país e que precisa de trabalho como pão para a boca. A drª sabe muito bem que esta greve é mais teimosia. Há quem não tenha trabalho e estes senhores têm trabalho muitos há mais de 19 anos embora precários, e há quem não tenha. Vamos todos a qui em Portugal se temos tento. Ser de esquerda não é defender tudo mesmo que mal….

    • Se para o país a precariedade é necessária, senhor Manuel Rodrigues estou-me a cagar para um país que só pode existir assim. E tenho a certeza que o senhor não é precário…

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