Os pastos a quem os come! 25 de Abril Sempre.

Já disse que não vou a touradas. Mas tenho medo de fanáticos. Um dos grupos fanáticos da modernidade urbana são os «amigos dos animais». Há, claro, muita gente com animais que não é fanática, mas há um grupo de pessoas desequilibradas. O que também não seria problema (todos somos um pouco loucos, já dizia alguém), se não pressionassem para que o Estado faça da sua vontade lei. Se não vejamos, cães em casa em apartamentos é um sofrimento, os remédios para as pulgas são altamente tóxicos, capar animais para estarem quietos nos apartamentos é uma brutalidade, é muito provável que quem mais abandona animais não sejam caçadores, que deles precisam, mas citadinos, porque descobrem ao fim de pouco tempo que ter animais na cidade pode ser um pesadelo. Um bom serviço que as associações de animais deviam fazer era deixar de colocar fotos de gatinhos fofinhos e colocar a foto do gato a destruir o cortinado – talvez o número de abandonos diminuísse porque o número de pessoas a querer ter animais sem condições também ia diminuir. Não me oponho a que as pessoas tenham animais capados e presos, e embora eu não ache muito correcto, não aderi a uma campanha a chamá-los “criminosos”, “deviam era ser espetados”, “detentores de presos políticos”, “mais valia serem abatidos esses humanos”, “não valem nada”, “são piores que o meu cão”. Sim, estas são as coisas “humanas” que os defensores dos animais costumam escrever sobre os outros seres humanos que não têm esta relação, de traços obsessivos, com os animais. Ou seja, não há diálogo, apenas violência verbal descontrolada. E ódio, muito ódio.
 
Eu não gosto de touradas, repito, mas gosto de ouvir debater o tema de parte a parte sem ódios viscerais, e falsos moralismos vindos de pessoas que em muitos casos têm animais presos o dia inteiro no belo apartamento. E acho que numa coisa o Manuel Alegre, em quem nunca votei, tem toda a razão – o “politicamente correcto” envenena as relações sociais porque torna todos os debates interditos. É uma forma de censura e de limite à liberdade de expressão. Em que, em nome da suposta vítima, somos convocados a mentir e omitir o que pensamos. Quando o problema não está no que pensamos, isso é livre, está na educação e correcção intelectual com que expomos opiniões e não – como querem os sectores politicamente correctos -, na defesa da mordaça.
 
Só uma declaração final em mais este fait-divers – se alguém me quiser obrigar a ser vegan ou fizer proselitismo neste sentido, do género “vamos taxar a banha e diminuir o défice”, faço uma aliança política da extrema esquerda à direita liberal com toureiros, caçadores, pescadores, pastores que proponho já chamar-se Grupo dos Amigos da Alheira e do Robalo de Mar Grelhado. E convido o meu amigo Otelo para Comandante, espero que ele aceite e faça uma ordem de operações para tomarmos os pastos e pesqueiros deste país em nome da grandeza da gastronomia portuguesa. Não recuaremos! Haja saúde!

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