O Sr. Vasco não gosta de mim

O Sr. Vasco Correia Guedes, conhecido pelo pseudónimo de Vasco Pulido Valente, deu uma entrevista a Ana Sá Lopes (Público, 21 de outubro) onde me dedica um parágrafo para dizer que não gosta da minha Breve História da Europa em termos difamatórios. “É um abismo de ignorância”, diz ele, esquecendo-se de apresentar um único argumento que o demonstre. Nem unzinho, como dizem no Brasil.
Ao contrário de VPV, eu gosto de um livro dele. Chama-se O Poder e o Povo. Foi escrito há uns 40 anos, mais ou menos quando eu nasci. Infelizmente, nos quarenta anos desde então decorridos, não produziu mais nada que me interessasse. Defeito meu, certamente.
O meu livro que ele diz impublicável tem sido acolhido junto do grande público, referenciado em revistas académicas internacionais, sujeito a uma revisão anónima por pares em Londres, onde vai ser publicado, apresentado por vários professores universitários e secundários, e é hoje manual em universidades e em algumas escolas secundárias para muitos professores. Lido, pela sua escrita de divulgação científica, por académicos e operários, especialistas e leigos. Sá Lopes não questionou tal afirmação, porque o jornalismo é também hoje um «pé de microfone» em que o jornalista ouve mas não questiona, transcreve sem razão crítica. Ele devia saber, e ela também, pela minha obra pública, que na academia se escrevem livros que são e devem ser debatidos, mas não se escrevem livros com a ligeireza com que se distribuem ódios pessoais em crónicas de jornais.
VPV acha que “a história é um género literário” e as ciências sociais, “uma fraude”. É um desiludido da vida: foi para secretário de Estado da Cultura pela mão de Sá Carneiro, mas saiu desiludido. Foi apoiante de Mário Soares, mas também se desiludiu. Voltou para o PSD e foi eleito deputado, mas demitiu-se ao fim de quatro meses. Escreveu bastante crónicas nos jornais. Talvez pudesse reuni-las num volume. Poderia chamar-lhe “crónicas de escárnio e maldizer”.
VPV está profundamente desiludido com o mundo. Eu sou apenas uma historiadora desse mundo. Sempre à procura porém dos iludidos, trabalhadores, revoluções, dirigentes revolucionários e sindicais, a quem dediquei uma obra aos 40 anos que o VPV aos 80 anos não tem. Como dizia o Nelson Rodrigues, a vida como ela é.
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