Mea Culpa

Não há 50 milhões de fascistas no Brasil. É preciso uma profunda auto crítica – daquelas a la anos 60, com dezenas de páginas impiedosas connosco – que deixe de uma vez por todas de culpar a extrema direita pelo seu próprio sucesso, ilibando a esquerda de todos os erros que levaram milhões de trabalhadores, abandonados sem uma direção capaz, um programa universalista e uma organização digna desse nome a votar – desesperados – no seu pior carrasco. Sou das que acha que a maioria dos votantes de Bolsonaro é vítima – dos nossos erros também. A lista de sucessos ontem apresentada pela esquerda resumia-se a eleitos. A trincheira contra o fascismo vão ser os parlamentares eleitos? É urgente chamar plenários nos locais de trabalho, ouvir todos, parar de chamar machista e fascista a quem trabalha, abrir os ouvidos, perceber o que os desespera e aí preparar um programa. Acabem com o sectarismo com o mundo do trabalho que só é usado como palavra de ordem e nota de fim de rodapé. Por favor acordem! Saiam da bolha activista, das manifestações de Facebook, a que se chama “organização”, das contagens de deputados, e vão às empresas e fábricas. Pode ser que não resulte. Mas a receita até aqui seguida foi um desastre total – nada mais nada menos do que, em liberdade, a maior votação, se não me escapa nada, que um fascista teve na História. A culpa é do curso lento do tempo…mas também é nossa.

3 thoughts on “Mea Culpa

  1. A esquerda deixou de olhar para as pessoas com a dignidade que merecem, deixou-as sozinhas, num modelo social de chantagem permanente absolutamente desrespeitoso. Igualdade e democracia são hoje abstracções, liberdade então é quase proibida, dizem que é perigoso e insensato dar razão àqueles que não sabem escolher. O que se passa no Brasil é uma enorme e trágica ironia, uma perfeita demonstração de conjunto. Parece ousado abdicar dos mais elementares direitos, é mais ousado ignorar as mais imediatas necessidades. Os discursos dos agora vencedores reflectem de forma precisa e directa as ansiedades de muitos brasileiros e a brutalidade do discurso não é maior que a da própria vida.

  2. Tempo em que todos queremos falar e dar opiniões, porque é fácil, a internet está aqui mesmo ao pé, em que se fala sem pensar primeiro, nem conhecer os contextos. E tempo propício ao predomínio do instinto, sobre a razão. É mau. É perigoso.

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