O Vale dos Caídos

Não se pode colocar no mesmo prato da balança do século XX um regime nascido de uma eleição (Republicano) e um golpe de Estado que o derrubou de forma sangrenta (Franquismo).

Quando comecei o doutoramento o meu tema de tese era o impacto da revolução portuguesa na transição espanhola. Mudei o tema para a história do PCP entre 1974 e 1975 mas mantive ao longo destes anos uma linha de investigação sobre o tema inicial, que me levaram várias vezes aos arquivos espanhóis, dele resultaram alguns artigos e livros que relacionam a revolução dos cravos com a queda do franquismo. Para minha surpresa no início da investigação deparei-me com um muro de silêncio – os arquivos em Espanha estavam-nos vedados.O de Franco estava nada mais nada menos do que nas mãos da própria família. Esse silêncio foi sempre uma paz pactada mas incómoda porque a ausência de história impede a justiça política. 1 milhão de mortos. Corpos ainda em valas comuns por identificar. O Vale dos Caídos foi construído entre os anos 40 e 50 do século XX recorrendo ao trabalho forçados dos republicanos. Não é um museu, é um monumento a uma das mais brutais ditaduras que a humanidade conheceu. Em link a reportagem e entrevista que dei sobre o tema.

“O Vale dos Caídos é dos monumentos mais “desconfortáveis” para a sociedade espanhola. 43 anos depois da morte de Franco, o país volta a debater-se com o “fantasma do ditador”. Fomos falar com a historiadora Raquel Varela para tentar perceber o que está, afinal, em questão.”

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