Pensar a UE

Chegou estes dias este importantíssimo livro do József Böröcz uma voz lúcida com uma crítica contundente à UE mas em defesa de uma Europa unida dos povos. Borocz tem também destacado a sua obra por um olhar serissimo sobre o “socialismo goulash”, na Hungria, critico e ao mesmo tempo tentando mostrar o que o regime deixou de bom. Os dados estatísticos impressionam mas sobretudo a tentativa ousada de os tratar analiticamente à escala global. Nem ele nem eu apoiamos ditaduras, eu discordo em muitas áreas do Borocz mas a sua análise é incontornável. Conhecemo-nos numa mesa ecléctica em Budapeste sobre socialismo que jamais esquecerei porque me ensinou que não existe uma Europa de Leste, os regimes eram muito distintos entre si. E porque o debate foi de uma frescura e sinceridade raras hoje na academia. E porque claro terminou com uma linda viagem de todos os conferencistas com vinho branco pelo Danúbio a ouvir valsas – a Hungria tem vinhos fabulosos. Sempre me encantou a delicadeza e a cultura de leste, a Hungria por razões específicas viveu o horror – a revolta de 1956 foi terrivelmente esmagada pelas tropas soviéticas. A propósito quem me recordou disso recentemente foi um filme de Vanessa Redgrave, um documentário dirigido por si sobre refugiados na actualidade, que aconselho – lembrou-me porque eles na GB receberam parte dos 200 000 refugiados húngaros pos invasão.József Böröcz é também uma das vozes públicas húngaras, embora a trabalhar nos EUA, de defesa dos refugiados.
Mas aqui quero relevar esta obra que me despertou muitas questões, entre outras razões porque quer nos EUA quer na Hungria é possível pensar com mais liberdade do que em Portugal o tema da União Europeia.

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