A divisão do trabalho doméstico não é uma solução

A realidade demonstra-nos que a divisão do trabalho doméstico não é uma solução de bem estar para a sociedade, com as condições de trabalho que existem hoje.

O que aparenta ser uma solução não é, porque a realidade transformou-se com a intensificação a que estão sujeitos profissionais de várias áreas, sejam enfermeiros, operárias, ou professores ou estivadores, funcionários públicos, enfim, todos os que vivem-do-salário. Isto levou a um desgaste brutal nas relações amorosas, em que os casais não têm tempo para si.

Se um homem ou uma mulher trabalha por turnos 50 a 70 horas por semana pedir-lhe para ir cozinhar, meter e tirar a loiça da máquina, acompanhar os filhos na escola, ir ao supermercado, estender roupa, apanhar a roupa e guardá-la é pedir o impossível. Não há solidariedade alguma nesta suposta “divisão”. Quem já deu toda a sua força física e emocional ao trabalho fora de casa não pode ser caracterizado como um perigoso machista que não ajuda a mulher ou como, já há agora e haverá cada vez mais, uma mulher que não «liga à família». As pessoas estão rebentadas nos lugares de trabalho – não precisam ainda de lições de moral – com pouca moral porque não são baseadas na realidade material – sobre como são péssimos pais e mães, como são terríveis machistas, etc.

Temos que pensar soluções decentes para todos. Soluções que não massacrem nem homens nem mulheres.

Em Portugal quem trabalha, tem um horário, em metade dos casos, superior a 50 horas semanais, mais de 25% trabalha 70 horas semanais. A razão são as horas extraordinárias e a acumulação de dois ou três trabalhos para manter os níveis de vida depois das sucessivas quedas salariais.Uma família com filhos ocupa em média 4 horas diárias em trabalho doméstico, também chamado «trabalho reprodutivo». Com a mudança de sociedades agrárias para urbanas, as famílias reduziram-se e a maioria dos casais trabalham os dois e não tem avós perto. Soluções como termos restaurantes de bairro co-financiados pelo Estado, lavandarias públicas, locais de brincadeira colectiva para as crianças e mesmo sistemas rotativos seguros e felizes onde se possa deixar as crianças para que os casais possam sair uma vez por semana ir jantar fora e namorar são fundamentais.

A isto terá que ser associado com urgência a redução do horário de trabalho sem redução salarial. Trabalhar por turnos sem tempos consistentes de descanso mata lentamente as pessoas, que entram em absentismo ou colapso emocional. Quase metade da força de trabalho é feminina, em largos sectores as mulheres vão ultrapassar os homens no salário. É central pensar um modelo de sociedade que queira o melhor para todos e não uma estéril guerra dos sexos, que só vai aumentar a competição.

Os casais não devem estar sujeitos a trabalhar, comer, dormir e cuidar da casa e filhos, temos que exigir tempo livre, tempo de ócio para repor forças e ser feliz. E assim também trabalharemos todos melhor.

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