História do Povo na Revolução Portuguesa nos Estados Unidos

Celebramos uma notícia maravilhosa. Por isso, ontem abrimos uma garrafa do meu vinho preferido, que naturalmente tenho que manter escondido antes que suba no raiting, comemos lagartinhos de porco preto da aldeia dos meus avós, Garvão, e ainda grelos salteados que a Dona Jesus do mercado ao lado de casa me arranjou, prontos a ir para a panela. A razão de tanta felicidade é que chegou o meu contrato de publicação da História do Povo na Revolução Portuguesa nos Estados Unidos. Um número muito grande de pessoas, no trabalho, na vida política, na esfera pública, e em casa foram fundamentais para esta epopeia de quase uma década de estudos e escrita. Para eles todos, o meu obrigada.
Somos também o que fazemos e os livros que escrevemos. Escrever a História do Povo transformou-me como pessoa, foi um antídoto precioso contra o cinismo que abate tantos intelectuais. Mais do que a minha determinação em ser optimista e confiar em sectores de trabalhadores organizados, manual e intelectuais, o que funcionou em mim este anos foi o estudo real de factos que hoje nos parecem impossíveis. Ainda hoje – não estou a brincar – de cada vez que Trump fala ou um desgraçado monstruoso dispara sobre os colegas da escola eu vou ler sobre o Maio de 68 e escrever sobre a Primavera de Praga. Sem o bom senso da decência dos grandes homens e mulheres do passado estamos condenados a achar que a barbárie e a distopia são os únicos caminhos. As operárias da Candininha ou os operários da Lisnave, os médicos do Serviço Médico à Periferia ou ou professores se Santiago do Cacém, deixaram-me esta visão mágica do futuro. Eu escrevi uma história deles, mas quem fez a história foram eles.
Não vivi a força das mudanças colectivas emancipatórias, mas estudar a revolução, dia a dia, levou-me para lá, levou-me a acreditar que é possível que as pessoas mais esmagadas, pobres, e mesmo tantas vezes cobardes, se libertem do medo, colectivamente, se superem e ajudem a construir um mundo melhor, e que nos deixaram como legado. Ao fazermos a cronologia da revolução, pela primeira vez centrada exclusivamente nas greves, manifestações e ocupações, de fábricas, empresas e casas, chegamos a uma periodização distinta sobre a Revolução de abril daquela que era até agora apresentada, e que tinha como ponto de partida as datas dos golpes e as mudanças de governos provisórios. O ângulo da análise sai, neste livro, das instituições para o campo social. Questionamos a ideia de que haveria uma simbiose entre Revolução e Estado.
A história da Revolução Portuguesa, como a história de qualquer revolução, é a história do Estado e da construção de um poder paralelo a esse Estado, dos que já não conseguem governar como governavam e dos que já não aceitam ser governados da mesma forma. Este livro trata de uma parte da construção desse poder paralelo, dos que já não «querem ser governados» como eram. Raquel Varela
«Este livro apresenta-nos uma rigorosa investigação sobre a revolução portuguesa que ambiciona dar voz aos que não tiveram voz. Nos livros de história eles são, não poucas vezes, invisíveis. Anónimos, os seus retratos nas manifestações dizem-nos tudo o que precisamos de saber sobre a esperança e a frustração, a fúria e o medo, o entusiasmo e a ilusão, e tudo aquilo que oferece grandeza à vida e não cabe em palavras. Foram eles que fizeram a revolução. Nas páginas deste livro bate um coração que tem respeito e admiração por essa gente» Valerio Arcary, Historiador.
«É preciso reconhecer também que o livro apresenta uma
impressionante sistematização de dados quantitativos, desenvolve narrativas detalhadas que reconstituem para o leitor determinados acontecimentos e processos, mas antes de tudo, investe muito bem em análises qualitativas inovadoras sobre o papel da classe trabalhadora na revolução portuguesa». Marcelo Badaró Mattos, Historiador.
«Raquel Varela é uma das mais brilhantes críticas sociais de Portugal dos nossos dias.»
Ricardo Antunes, sociólogo, Unicamp, autor de Os Sentidos do Trabalho
«Raquel Varela é uma investigadora sagaz e dedicada da história global do trabalho e tem sido uma inspiração, em Portugal e a nível internacional, para os jovens investigadores desta área.»
Jan Lucassen, fundador da história global do trabalho, ex-diretor do IISH, membro da Academia Real de Ciências holandesa

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