Educação para a Transformação

Um dos grandes mitos da história de Portugal é a «balda» da gestão democrática na revolução. Na verdade nunca tivemos na nossa história uma gestão tão controlada, democrática, e limitada no seu poder de abuso como aquela que nasceu no 25 de Abril em escolas, hospitais, bancos, empresas.
A Karina foi minha aluna e estaremos no júri dela dia 28 para a defesa. Foi também pesquisadora do Grupo de História Global do Trabalho e dos Conflitos Sociais do IHC/UNL.
Espero que alguma editora portuguesa queira publicar o livro, para que se conheça com fontes e rigorosa análise crítica um dos mais interessantes processos de construção da escola pública no ocidente, sob impulso revolucionário.
Acrescento ainda que na melhor tradição critica brasileira a Karina tem uma visão da escola que se afasta do eduquês de “esquerda” e do liberalismo conservador, propondo antes uma visão educativa séria e emancipatória sobre educação que teoricamente é pouco comum em Portugal que oscila entre a, sem me permitem a simplificação, a balda e o autoritarismo. O “aprender a brincar” e o “aprender com reguadas” são duas visões antagónicas de uma mesmo projecto que – numa linha – abdica de transformar e por isso de educar as crianças.
No Brasil a teoria educativa foi muito mais longe, com as propostas críticas de Saviani, Frigotto, entre outros.
Ainda a propósito deste tema e dentro da mesma área divulgo o lançamento do livro da minha querida amiga Kénia Miranda, justamente uma das teóricas de educação mais interessantes que conheço, sobre os sindicatos e os movimentos de professores no Brasil, também com uma componente teórica da pedagogia histórico-crítica e do marxismo, que vale muito a pena ler.
Lutas por educação no Brasil recente de Kênia Miranda, professora da UFF
“A história do sindicalismo docente, como não poderia deixar de ser, continua em aberto. Este livro é, por isso mesmo, uma leitura fundamental não apenas para os pesquisadores dos campos da educação, da história e das ciências sociais, interessados na lógica do trabalho docente e no movimento sindical dos professores. Trata-se também de uma obra que pode ajudar muito àqueles professores e àquelas professoras que ingressaram nas universidades públicas nos últimos anos e, ao viverem suas primeiras experiências com o trabalho nas universidades, com as greves e o sindicalismo docente, têm muito a ganhar ao conhecer a história mais longa desse processo em que hoje se vêem imersos”. (Marcelo Badaró Mattos, História, UFF).

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