Culpa e castigo

Pertenço ao grupo de pessoas que acha que o Estado Social faliu nestes fogos. Que colapsou o liberalismo económico em Portugal, da terra ao combate a fogos. E que a ministra demitir-se é pouco, muito pouco. De cada vez que algum Governante disse qualquer coisa nas últimas horas foi para abrirmos a boca de espanto – de nos mandarem apagar fogos às férias que não gozaram ao «inevitável» perante mais de 30 mortos ouvimos de tudo. Passaram dos afectos de Pedrógão à culpabilização colectiva e diluída no tempo, da defesa ao ataque, nem desculpas, nem lamentos, a culpa é nossa, dos 10 milhões. Como é evidente se eu sou tão culpada como os Governos é bom que me deixem tomar decisões – a primeira é chamar o exército em vez de mandar bombeiros voluntários arriscar a vida. A segunda é deixar de financiar a grande propriedade da terra e financiar a pequena agricultura sustentada. A terceira proibir as manchas de eucalipto/pinhal contínuas e em montanha. A quarta – concomitante – é termos serviços florestais e guardas. Amanhã, não são precisos 40 anos. Qualquer detalhe neste cenário peca portanto por irrelevante, mas pergunto-me: há vários filmes de pessoas a atravessar auto estradas a arder, um deles do meu amigo João Pico que se viu no meio dela com a filha, entre o Porto e Lisboa, as duas principais cidades do país. Ontem escutei-o, creio que na TVI, a contar o episódio infernal. Há mortos em auto-estradas. A pergunta, estas não são concessões privadas? Onde estavam os donos destas quando as pessoas as atravessaram a arder?

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