A solidão humana

Os projectos de lei do PAN, Bloco e PEV para permitir a entrada de cães e outros animais de companhia nos restaurantes foram aprovados. Até hoje seleccionava os restaurantes para ocasiões especiais usando várias variáveis: comida – de preferência uma chef camponesa criada a norte do Douro ou a sul do Tejo, sem estrelas – , espaço, luz indirecta (odeio interrogatórios de luz branca), música baixa e jazz ou clássica – tenho taquicardia com tecno -, local, assento confortável, vista, não ter televisão, pois claro. Hoje tenho um novo requisito – não ter um cão ao lado, porque é nojento, porque pode ter pulgas, porque pode ser agressivo, porque cheira mal e porque eu fui educada no século V antes de cristo em que tivemos sempre animais e aprendemos a tratá-los bem, mas não cruzavam a porta de casa – e sou cada vez mais contra este conservadorismo liberal em que a pouca inovação que existe destila desumanização. Um mundo em que supostamente não há limites aos desejos individuais de ninguém porque Marx morreu, Deus também e sobrou o mercado – pagou, escolheu, decidiu, o cliente pode tudo. A solidão humana num mundo urbano mercantilizado e competitivo é hoje de facto um dos grandes desafios que a humanidade tem pela frente. Os partidos em vez de ajudarem a resolver as causas deste mal estar social e destes sofrimento humano vergam-se ao populismo eleitoral, mesmo que a expensas da saúde pública e bem estar colectivo. Ou resolvemos isto ou uma parte de nós acabará a jantar com o cão, a dormir com o gato, a tratar o cágado por filhote. Não vai ser bonito o mundo, aviso-vos já.

Advertisements

3 thoughts on “A solidão humana

  1. Como é bom ter um cão. Um cão a sério. Um animal. Um digno descendente de lobos, como o meu cão. Que feliz que é o meu cão, um animal com instintos selvagens, mas que me olha com uma ternura que me derrete… Que me protege dia e noite e que protege a casa onde mora e tudo à volta que é o seu condado murado. Não há gato, coelho, rato ou pássaro que se aventure impunemente nesse condado, e nem homem! E se se aventura, certo é eu ganhar um presente meio desfeito, disforme, à porta da cozinha ou da entrada, invariavelmente com a sua presença e olhar inquiridor à espera da aprovação que eu nunca lhe nego.
    O meu cão também não entra na casa, nem quer. Tem a dele e eu também não entro lá.
    Nunca quis almofadas, nem cobertores, nem roupas, nem lacinhos na cabeça, nem unhas pintadas – que horror – mesmo nos gélidos e agrestes Janeiros.
    O meu cão parece um leão. E é assim que se chama. É assim que eu o chamo.

  2. Os cães ficarão sujeitos a um enorme stress durante o tempo que permanecerem com pessoas e talvez com outros cães num espaço fechado . São mais felizes quando têm espaço livre suficiente para correr e brincar à vontade .
    Haverá wc para os bichos ou irá o dono com o respectivo animal de estimação até à rua de saquinho na mão ?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s