Novos Tempos

Em Tempos Modernos o gestor da fábrica aparece na TV a gritar com Chaplin quando ele para uns segundos de apertar parafusos, e perante uma doce música entra na casa de banho – «eh! volta para o trabalho!». O homem dominado pela máquina e vigiado pela gestão eliminaria os tempos mortos. Que são na verdade tempos de vida. De recuperação de forças, de criação e de humanidade. Os estivadores de Zeebrugge, na Bélgica, hoje, na Europa, dançam neste vídeo dentro de um porão de navio. São parte da grande rota comercial marítima da Europa – o delta do Reno e regiões associadas, passam nas mãos deles algumas das maiores riquezas do mundo, a saber a região do Ruhr, o coração industrial da Europa. O editorial do The Times, em 1868, tinha escrito sobre o congresso de Fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores que propunha a redução do horário de trabalho, a eliminação progressiva do trabalho nocturno, o entendimento entre os povos, «o que está contemplado (no seu projecto) não é uma simples melhoria, mas nada menos que uma regeneração, e não apenas de uma nação, mas da humanidade». Nos mais brutais espaços de submissão, repetição, brutalização nascem pedaços de vida e o homem liberta-se do movimento automatizado e teima em fazer curvas desordenadas com os pés – está a dançar.

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