25 de Abril

Partilho a palestra que fiz no Quartel do Carmo, para assinalar o 25 de Abril.
Recordo deste dia uma curiosidade – os meus amigos brasileiros e espanhóis presentes na sala comentaram, sem se conhecerem, «o que tu disseste aqui num quartel seria impossível em Espanha ou no Brasil hoje».
Somos mais livres, também por causa do 25 de Abril. Na sala estavam Pezarat Correia, Matos Carlos Matos Gomes – que apresentou magnificamente o livro – e Nuno Andrade. Seria impossível no Brasil, em Espanha. Seria impensável em quase todo o mundo que se possa falar de revoluções sociais, celebrando uma revolução social, num quartel com militares presentes. Uma parte dos militares neste país jogou um papel activo na história, raro na história da humanidade, na verdade. Fez história, muito para lá de Portugal. Tenho acentuado a participação popular nos processos históricos, mas nunca devemos olvidar esta excentricidade portuguesa, o papel da corajosa oficialidade intermédia de Portugal no derrube da ditadura e, também, por causa e com a pressão popular, no rumo social que ela ganhou. O que quero dizer é que os militares não fizeram só um golpe de Estado contra a guerra, juntaram-se, em grande parte, à revolução.
A revolução portuguesa é menos conhecida na cena internacional do que a contra-revolução chilena liderada por Pinochet porque a nossa é em parte vitoriosa, e há uma pedagogia dominante de dar atenção às derrotas e fazer esquecer as vitórias.
Como historiadores temos também este papel, o de mostrar que no passado existiram saídas em que os mais frágeis foram vitoriosos.

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