Nos 100 anos de O Capital

Trata-se hoje de um dos grupos mais consolidados de estudo do pensamento marxista e da história dos últimos 200 anos. Vai realizar este ano uma conferência, por ocasião dos 150 anos da publicação de O Capital e dos 100 anos da revolução russa, que está entre as conferências mundiais mais completas em termos de participação.
Estarei numa mesa sobre revolução com o Valerio Arcary e o Kevin Murphy
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3 thoughts on “Nos 100 anos de O Capital

  1. Raquel, em relação ás pessoas que acham que os médicos ganham muito.

    Sou um jovem na casa dos 30, mas já trabalhei em quase 20 empresas, tudo precário. Trabalhei na maioria em funções humildes, nas produções industriais, se quer assistir à barbária é lá. Digo-lhe o seguinte, a ficção conta-nos histórias mentirosas. Se não veja: (estou a referir-me a todas as empresas sem excesão, em áreas diferentes e zonas diferentes do Pais). Você ouve dizer de grupos de trabalhadores operários que se reunem para lutar, e parece-nos que dá uma imagem de união, de sociedade… na verdade, se reparar bem, isso só acontece quando o trabalho coletivo está em risco. Quando não é o coletivo, os colegas até “lhe cospem em cima” se for preciso. Os recursos humanos em conjunto com os chefes daquela secção semeiam mentiras do trabalhador e nem é preciso muito, os próprios colegas fazem o trabalho por si só. Quando há intenção que ele se demita ou de o demitir.

    São as primeiras pessoas a agredirem-na, se for preciso, para você fazer o seu trabalho, mesmo que lhe doa as costas. Raquel, um exercicio, vista uma roupa simples, fale de uma forma simples e ingénoa e procure trabalho para a produção de uma industria. Pode escolher. Garanto-lhe que a imagem que tem dos “pobres” se altera perigosamente.

    Eu sou pobre, financeiramente falando, sou parte dos excluidos. Mas nunca humilhei ou tomei vantagem de um colega. Pelos vistos é a unica forma que muita gente tem para se destacar. Nem todas as pessoas são iguais e encontra pessoas incriveis. No entanto, encontrei mais gente sem escrupulos nas industrias, nas produções, que em qualquer outro lugar. Já fui militar, acredite raquel, os militares são civilizados e humildes, então quando sobe na hierarquia… Os soldados são pessoas educadas. Porque assim obriga a cultura militar. Sou contra a guerra e tudo isso, mas digo-lhe, o mundo capitalista está a destruir o humanismo das pessoas, não são os militares nem a guerra. Foi nas industrias que vi o lado mais negro do homem, não foi no exercito, e olhe que no exercito fui humilhado, deixaram-me sem água e também foi duro mas nunca perto do trabalho de produção. E se juntar precariedade. Tem a forma para a barbária.

    • É preciso acrescentar o seguinte. A maioria das industrias, todas diferentes e com homens e mulheres trabalhadores, são industrias que têm alguns aspetos em comum: polivalência, os funcionários fazem tudo e muitas funções ao mesmo tempo; horários rotativos, este é para mim o fator mais destruir, esta semana está a trabalhar de dia, para a semana de madrogada, a nível psicológico é muito violento, dizem que há muito trabalho na zona centro do pais, que é onde vivo, mas não dizem as condições desses trabalhos. E na maoria são funções pesadas e desgastantes. E isto é todos os dias. Outro aspecto comum nas empresas é o fato de vc tem de estar sempre a trabalhar, não pode parar muito menos para trocar uma ideia. Não pode raquel. E você não imagina o que isso significa psicologiamente, é um dominio sobre as suas decisões. Se não tiver o que fazer tem de inventar. E isto não é exagero. O último aspecto que destaco é que vc não pode ter autonomia. Não pode tomar decisões, só faz o que lhe mandam. É tratada como uma coisa. Isto são caracteristicas em todas as empresas onde passei. Desde os meus 16 anos. E até hoje é assim. Penso que qualquer pessoa num meio repressivo acaba por perder a sua humanidade. Os que não aguentam saiem. Acabando por ficar aqueles que não têm outra opção na vida. E para piorar, para dividir ainda mais os trabalhadores, vejo o poder das empresas precárias. Vamos torcer para não ganharem força e invadirem as escolas, os hospitais e a própria defesa. Falam muito dos baixos salários, é o que é mais visivel, deixando de falar dos horários rotativos e noturnos. Acredito que se fossem melhor legislados a vida das pessoas melhorava. É muito dificil ler jornais, ter uma vida e preocupações com a sociedade quando vc trab de madrogada, juntando todas aquelas condições.

    • É preciso acrescentar o seguinte. A maioria das industrias, todas diferentes e com homens e mulheres trabalhadores, são industrias que têm alguns aspetos em comum: polivalência, os funcionários fazem tudo e muitas funções ao mesmo tempo; horários rotativos, este é para mim o fator mais destruir, esta semana está a trabalhar de dia, para a semana de madrogada, a nível psicológico é muito violento, dizem que há muito trabalho na zona centro do pais, que é onde vivo, mas não dizem as condições desses trabalhos. E na maoria são funções pesadas e desgastantes. E isto é todos os dias. Outro aspecto comum nas empresas é o fato de vc tem de estar sempre a trabalhar, não pode parar muito menos para trocar uma ideia. Não pode raquel. E você não imagina o que isso significa psicologiamente, é um dominio sobre as suas decisões. Se não tiver o que fazer tem de inventar.

      E isto não é exagero. O último aspecto que destaco é que vc não pode ter autonomia. Não pode tomar decisões, só faz o que lhe mandam. É tratada como uma coisa. Isto são caracteristicas em todas as empresas onde passei. Desde os meus 16 anos. E até hoje é assim. Penso que qualquer pessoa num meio repressivo acaba por perder a sua humanidade. Os que não aguentam saiem. Acabando por ficar aqueles que não têm outra opção na vida. E para piorar, para dividir ainda mais os trabalhadores, vejo o poder das empresas precárias. Vamos torcer para não ganharem força e invadirem as escolas, os hospitais e a própria defesa. Falam muito dos baixos salários, é o que é mais visivel, deixando de falar dos horários rotativos e noturnos. É muito dificil ler jornais, ter uma vida e preocupações com a sociedade quando vc trab de madrogada, juntando todas aquelas condições.

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