Vida Fantasma

Sou fan da tecnologia. Tenho um carro antigo, mas com mudanças automáticas, o que fez os meus filhos celebrarem a melhoria extraordinária da condução da mãe, e deixarem de vomitar no carro, em viagem. Tenho uma máquina de sumos imbatível, tritura laranja e brócolos, o que faz os meus filhos pensarem em sair de casa aos 18 anos, objectivo principal de toda a maternidade saudável. Um telefone que me deixa ouvir a voz de quem amo, quando está longe. A tecnologia está ao meu serviço. Neste porto fantasma – sem estivadores ou camionistas – ela está ao serviço da destruição da vida das pessoas porque não é controlada pela imensa maioria de nós, mas justamente pela imensa minoria – despedimentos em massa e o direito à vida colocado em causa. Um futuro de trevas. Hoje, mais do que ontem, a redução drástica do horário de trabalho é um imperativo civilizacional – a tecnologia só é um bem se nos tornar mais humanos, e não miseráveis. No ano passado apresentei um trabalho com o Henrique Silveira sobre automação e trabalho, em Miami, para o IDC. Nele defendia a redução do horário de trabalho sem redução salarial. Acabar com a exaustão de uns, o desemprego de outros. Um grupo de estivadores disse que eu tinha muita razão mas até lá não iam deixar entrar uma única grua automatizada nos portos deles, porque a vida deles é hoje. E eles estavam – hoje – a lutar por si e pelas suas famílias. E hoje, reflectindo nestes meses desde então sobre o assunto, acho que eles têm razão.

https://news.cgtn.com/news/3d637a4e31677a4d/share_p.html

Advertisements

One thought on “Vida Fantasma

  1. Gostava de deixar a seguinte opinião de Rolf Heuer, Presidente da DPG (Sociedade Alemã de Física).

    “Software can be very intelligent. But it cannot replace people.”

    Rolf Heuer is confident that clever machines can help us — in research, industry and daily life. In an interview, the president of the German Physics Association (DPG) explains why we will still need intelligent people as well.

    Yet AI arouses fears, concerning the loss of jobs too.

    There are always concerns like this when we have a new development; what happened with the first steam engine is happening now with artificial intelligence. It’s the responsibility of society as a whole, to determine: Does this represent a danger — for jobs, among other things? If so, we need to find out what we can do about it? And if not, that has to be explained. In my view, such decisions need to be based on proper, fact-based information. Science has to take a stand here, and this is what the DPG has always done.

    https://pofmag.com/interview-heuer-14d5c07cd46c

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s