Máscaras

Terminei hoje o último livro que tinha ainda para ler de Padura da tetralogia de Havana. Máscaras, chama-se. Confirma-se como uma das melhores surpresas literárias que tive na última década, depois do seu genial O Homem que Gostava de Cães – Ou Amava Cachorros, na versão brasileira (melhor livro que li em muitos anos). Este, Máscaras, é como deve ser um bom livro: crítica mordaz à homofobia cubana de um regime em crise, à perseguição aos homossexuais, mas sem concessões pós-modernas ao politicamente correcto. É o machista policial que acaba do lado certo, e são os puros burocratas que nunca falham na dose de palavras certas que estão embrulhados na mais sórdida história de discriminação. É um livro que consegue por isso retratar-nos sem falsas narrativas, complexo como somos. É uma crítica de esquerda ao regime cubano, como sempre aliás em Padura. A liberdade não chega de lancha de Miami, mas tão pouco sobrevive na dureza da escassez produtiva da ilha. É portanto um livro duro, mas ainda assim divertido.

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