Fechar a porta

Há uns 2 anos, creio, ligou-me uma colega, professora universitária numa universidade no oriente. Estudámos juntas há 20 anos. Doutorada, foi uma das 500 mil pessoas que saiu do país. Perguntava-me se devia arriscar voltar para um eventual contrato aqui. Perguntei-lhe qual a situação dela. Respondeu-me, “não é só a minha…”, os meus pais, trabalhadores manuais/indiferenciados foram despedidos com 50 anos, sou eu que lhes estou a pagar a casa ao Banco. O Banco nunca foi expropriado pelo Governo PS ou CDS-PSD ou PS de novo, mas os accionistas do banco foram resgatados, ou resolvidos, ou recapitalizados com dinheiros públicos que para serem pagos garantiram o despedimento dos pais dela e de mais de 700 mil portugueses desde 2008 que como ela acharam que este país não era nem para velhos nem para novos. O Estado podia ter garantido estas dívidas – trata-se de um bem de consumo básico, habitação; promovido o emprego. Em troca garante dívidas de grupos obscuros de casino que supostamente estariam a comprar os bancos que não valem nada – valem, muito, valem a vida dela, que ficou lá, no oriente. E a dos pais, que se viram sem vida e sem direito ao trabalho aos 50 anos. É este o significado destas políticas como a de garantir hoje mais 4 mil milhões ao Novo Banco – é a destruição do país, o exílio económico dos mais produtivos e jovens trabalhadores, a quebra do Estado Social e a indignidade da vida de pessoas que toda a vida puderam ter o mínimo, e o mínimo é viver do seu trabalho. O último a sair daqui fecha a porta e a luz?

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