O pesadelo de pagar o IRS

O simplex transformou-se paulatinamente em sobre trabalho. Estamos afogados horas por dia a fazer online trabalho que antes era realizados por serviços e funcionários. Acumulamos em nós funções esgotantes, que o Estado não cumpre. Fomos transformados em para-funcionários das finanças, em poucos anos, sem conhecimentos legais e técnicos para tal. Somos por isso cidadãos sempre sob suspeita, incompetentes, em dívida com o Estado, angustiados, o Estado que sustentamos. Encarnei um funcionário das finanças – pelos quais tenho sincero respeito e não vejo que tenham qualquer culpa nesta situação – num pequeno momento televisivo. O dia em que vamos pagar o IRS, não compreendemos quantas alíneas de quantos códigos nos faltam; o Java não está actualizado pela 32ª vez e finalmente o «sistema vai abaixo». Venham comigo na aventura de compreender porque «O Estado sou eu». Mesmo quando trabalhamos até para o momento de pagar.

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One thought on “O pesadelo de pagar o IRS

  1. Muito boa tarde, Raquel!

    Ainda há bocado estava a fazer umas contas para ver se as despesas em facturas de saúde coincidiam com os valores presentes no portal E-Factura (ao qual me vejo obrigado a dirigir quase religiosamente para tentar ter tudo o mais correcto e actualizado possível e não gerar confusão de cabeça), quando me lembrei da sua espectacular “interpretação” de funcionária das Finanças numa das últimas emissões do (prodigioso) O Último Apaga a Luz. Chego aqui e dou de caras com esse vídeo do programa e com o seu brilhante texto. Não há coincidências, de facto… Ora, sou obrigado a concordar em tudo… Para além de actualizar o meu portal, vejo-me na missão de socorrer os meus pais a esse nível também, uma vez que eles não possuem conhecimentos fiscais ou informáticos suficientes para tal tarefa. Ele é confirmar se as facturas são taxadas a 6% ou a 23% (se for a 23% tenho que confirmar a existência de receita médica) e, na compra de mais do que um medicamento, pedir que as facturas sejam emitidas separadamente porque caso algum deles seja taxado a 23% e não tenha receita médica, vai gerar confusão e possivelmente prejudicar-me em termos de benefícios fiscais; ele é a odisseia de ter que informar as Finanças caso não consiga tipificar uma factura de saúde no campo da Saúde pelo facto do estabelecimento onde efectuei a compra não ter Código de Actividade Económica (CAE) atribuído nessa área; ele é o ter que guardar então a papelada infinitamente para uma possível desconfiança posterior, etc. Repare que só me refiro ao campo da Saúde, já nem quero abranger os outros segmentos do “simplex” portal E- Factura (por exemplo, não me faça falar das despesas de restauração que contam e as que não contam porque a essa despesa não corresponde um serviço, como no caso de uma compra de uma refeição no McDonald’s…). P.S.: Já agora, as contas não bateram certo, como nunca batem 🙂

    Abraço!

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