Uma Nova Portugalidade

A dimensão pública sobre o que se passou na FCSH obriga-me de facto a tomar posição. E a minha posição clara é a defesa solidária do meu director Francisco Caramelo da calúnia e perseguição que está a sofrer numa luta política que não olha a meios para atingir fins. A Nova Portugalidade é uma organização fascista que escreveu à FCSH dizendo que estaria a ser ameaçada e que ia levar seguranças privados para a conferência de Jaime Nogueira Pinto. O director, Francisco Caramelo, tinha três opções: ou chamava a polícia – coisa que nenhum director ousa e bem fazer para dentro de uma Universidade; ou adiava a conferência esperando menos barulho – o que fez; ou deixava ter lugar uma batalha campal entre os estudantes de esquerda e os de extrema direita acompanhados pela milícia privada PNR. Optou pela segunda. Daqui a dizer que censurou seja o que for é um passo intolerável – não é censura, é queima de bruxas medieval do bom nome de alguém. A triste atitude de Vasco Lourenço da Associação 25 de Abril ou o oportunismo do CDS, a rapidez com que todos vieram comentar o que desconheciam fazendo aquilo que o líder desta – até há 5 dias – seita extremista aconselhou no seu facebook a fazer: “foi cancelada, enviem para todo o lado, vai ser bom para a Nova Portugalidade”. A armadilha a F. Caramelo e à FCSH era óbvia. Quem nesta página me conhece pessoalmente sabe que nunca pautei o meu percurso académico com reverência ao poder hierárquico, seja de quem for.  Também não sou de nenhum dos partidos da Associação de Estudantes. O que escrevo aqui escrevi com absoluta convicção de que o director da FCSH foi colocado numa armadilha, da qual a única forma de não sair queimado era ter deixado acontecer uma batalha campal, que o PNR tinha preparado de antemão. Sobre isto deveriam os estudantes de esquerda e democratas reflectir: só se grita avante quando se tem tropas. Tomaram uma posição moral de não se opor a que JNP falasse mas que a Nova Portugalidade fosse proibida de utilizar a Associação como veículo de auxílio à organização – fizeram bem, a Universidade pauta-se por dar consequência à proibição legal de organizações fascistas. Mas com a extrema-direita não chega uma luta moral, há que ter força social organizada. Ideias, boas ou más, leva-as o vento, organização colectiva é o que determina o rumo das sociedades.
Com a mesma indignação que se disse alvo de censura e defensor dos valores democráticos o colega académico Jaime Nogueira Pinto deveria exigir que o PNR deixe de ameaçar fisicamente os estudantes de uma universidade, a FCSH – isso seria elevação democrática. No caminho deveria deixar claro que foi convidado pelo seu colega e nosso director a nova conferência, organizada pela direcção da FCSH e não por um seita extremista. Nem tudo vale na arena política. Aguarda-se também uma palavra de Vasco Lourenço, com responsabilidades históricas e tantos que sem ler ou saber apressaram-se a chafurdar na lama. É que se o caminho neste país é aproveitar todos os factos para promover a sua chafarica deixando na lama o nome não interessa de quem, vale tudo, porque os fins justificam os meios, então é caso para dizer que já estamos a viver…como direi…uma nova portugalidade.
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10 thoughts on “Uma Nova Portugalidade

  1. Não! É melhor enterrar a cabeça na areia como a outra, face aos problemas que a “extrema direita” quer enfrentar, os quais dominam a vida das sociedades ocidentais, ditas democráticas, livres e, pasme-se, oprimidas. Se fosse ao contrário, já a faculdade tinha distribuído biberões, almofadas e fraldas para chuchar o dedo aos floquinhos da “extrema esquerda”.
    Está garantida a liberdade de expressão para todos? Ou estão borrados de medo?

  2. O Vasco Lourenço é um porco? Chafurdar na lama? A história que relata começou antes do ponto em que lhe pega. E isso faz toda a diferença.

  3. Começo a estar farto destes intelectuais, jornalistas, e outros que tais que se arrogam em legitimos representantes da opinião pública, recorrendo a métodos ainda presentes na memória de todos – estalinistas, os quais condicionaram, após o Maio de 68, a decadência do mundo ocidental. A legitimidade da direita é pelo menos igual à da esquerda. O que nao é legitimo é que uma reunião de alunos, supostamente a representar toda a academia, tenha votado com 36 votos a favor da decisão de suspender a referida conferência. Não estejam preocupados os arautos da esquerda caviar portuguesa com iniciativas e partidos da direita, simplesmente porque essa mesma esquerda dispõe de todos os instrumentos necessários para desvirtualizar, adulterar e defraudar as iniciativas da direita. Principalmente quando se trata de uma direita consistente e intelectualizada, essa sim aos olhos destes controladores, uma verdadeira ameaça. Mas preparem-se porque a revolução está em marcha.

    • E eu estou farto de fascistas parvalhões, que só querem transformar este país que já é uma porcaria, num chafurdal. Falas de Estaline para defender o Hitler, és tão bom como eles os dois.

  4. Por estes lados essa canalha de meninos que nunca fizeram nada, e a única coisa que ouviram lá em casa (dos seus papás) foi chorar pelo seu protetor salazar e caetano (destes ditadores fascistas), por isso nunca foram democratas nem tão pouco patriotas. Não posso estar mais de acordo com aposição levada acabo pelos responsáveis da universidade, e pela associação de estudantes (que fique bem claro, eu não tenho nenhum apreço nem pela AE, nem tão pouco com o professor Jaime Nogueira, como todos nós sabemos, sempre defendeu o salazarismo, e agora não venham dizer, que não! Porque lá terei que colocar, as várias declarações que ele tem feito, ao longo deste anos todos (antes e depois de 74) na comunicação social burguesa…

  5. Não podemos passar uma esponja por tudo que houve de erros!
    Erros económicos por parte do Lenine, e erros políticos por parte de Estaline, O Friedrich Engels, como todos sabem (ou deveriam saber!), pelo menos os marxistas (ou os que estudam o Marxismo,como eu), deixou escrito, algumas das suas opiniões sobre várias matérias, que deveriam todos ler… Se me perguntarem. Se Estaline cometeu erros? Claro que cometeu, mas ele não estava sozinho! Onde andam os outros? Uma coisa tem que ser dita, com coragem e determinação: Não branquear! O Hitler foi, ou não foi responsável por vários extermínios na Europa, (comunistas, judeus, negros e homossexuais e lésbicas)!!! Ou já se esqueceram…

  6. Com o máximo respeito por si e pelo seu trabalho, compreendo que queria defender o seu diretor, mas a posição que expressa está carregada de adjetivos e é limitada por uma parca objectividade quando fala de democracia, pois é a primeira a condenar quem se quer exprimir e se indigna com censura. Não consigo perceber como dispara a quem se opôs a uma reação tão pouco plural, tão pouco livre e muito sectária.

    Os extremos tocam-se e quem se cobre com uma capa democrática para esconder um fanatismo de esquerda, ou de uma amizade corrupta, anda cego e não percebe que é consumido por uma visão turva de um espírito pouco moderado.

    As sociedades democráticas são de todos os cidadãos, incluindo daqueles que têm um pensamento diferente. Todos, sim, todos, em sociedade têm direito a tentar construir um futuro melhor em conjunto e a representar quem faz parte de um todo, porque senão vivemos de facto um totalitarismo que impõem a marginalidade de um pensamento social contemporâneo.

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