Jaime Nogueira Pinto e o Sentido das Proporções

Sobre a FCSH, minha Faculdade. Esta semana começa uma greve mundial, 3 horas na Europa, 1 em todo o mundo, contra o despedimento dos estivadores espanhóis. Na Suécia param em solidariedade com os de Espanha; na Nicarágua, na Austrália – em Lisboa contentores desviados de Espanha não serão descarregados. O sindicato já o disse, custe o que custar. Uma maré de mulheres saiu à rua em Espanha, com os filhos, e disse Nem Um Passo Atrás – não vai haver despedimentos.
Na mesma semana, uma greve internacional de mulheres ocorreu ontem pela primeira vez na história da humanidade, não foi um simples dia da mulher, partiu a ideia da Polónia e da Argentina e contagiou-se aos EUA – Angela Davis, a histórica líder do movimento dos direitos civis dos EUA, apelou a esta greve. A extrema direita é um surpresa crescente na Holanda que vai a votos dia 15 de Março. Em Portugal o tema mais lido é uma suposta proibição de JNP – com quem já debati em televisão – falar. Tem isto dignidade de horário nobre. Ou seja, é fazer do tempo de antena de grupos políticos honras de noticiário. O director da FCSH não proibiu – vou insistir Não Proibiu -, adiou a conferência e reiterou o convite a JNP para a fazer mais tarde. Podem concordar ou discordar mas foi isto que aconteceu. A Nova Portugalidade não é JNP, é uma organização fascista, que facilmente seria proibida pela Constituição.
Conferências “censuradas” na Universidade e conferencistas quantos são e foram ao longo da nossa vida académica!? Não digo adiadas, nem para mais tarde,  falo das que são: “não convidados”, excluídos nos comités científicos; desconvidados por “falta de verbas”, alimentando uma situação de competição interna por carreiras afuniladas que mina o ambiente de crítica universitária e de exposição aos pares do trabalho, a função social da Universidade como espaço de crítica e mudança. Quem vai jogar a primeira pedra? Nada disto é muito correcto e justificável, mesmo que aconteça com frequência, mas é importante termos no espaço público a dimensão das coisas. Sobre liberdade de expressão, todos os dias abrimos a imprensa sustentada pelos meios empresariais, acabámos de vir de um congresso de jornalistas que retratou uma situação calamitosa, é Jaime Nogueira Pinto que se torna exemplo e mártir em vez de os milhares de jornalistas que denunciaram pressões e dos leitores que já não têm o que ler?
É urgente ter capacidade para ver a relevância e a irrelevância de agendas políticas que são vertidas nos media, os spins e as agendas das agências de comunicação e lobbies políticos. No quadro dos problemas – graves – universitários ou da liberdade de expressão  em Portugal este não é certamente um «caso» de estudo. Não tenho aliás opinião sobre o tema – deveria ou não te sido adiada ou deveriam andar à pancada para a Nova Portugalidade ter o mesmo espaço que teve não andando à pancada? Não sei, nem me interessa. O tema é, desculpem, irrelevante – é um fait diver. Achamos mesmo que o assunto mais importante que aconteceu esta semana em Portugal e no mundo foi este?
Advertisements

2 thoughts on “Jaime Nogueira Pinto e o Sentido das Proporções

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s