As alterações climáticas não são unânimes

Não há qualquer dúvida entre a comunidade científica sobre o impacto da industrialização descontrolada na saúde humana e no planeta. Há dúvidas sim que estejamos numa fase de aquecimento global e, para espanto de muitos, as dúvidas não são só de quem tem acções na indústria petrolífera. O apocalipse do “aquecimento global” está por provar, o impacto de uma economia assente na busca descontrolada do lucro não – é devastador. Deixo o meu curto comentário sobre este tema que de científico – sujeito a debate, prova – virou um dogma. Como cientista social não me impressiona os números de 97% dos cientistas acham que existe aquecimento global – na minha área 99% acham que o dinheiro produz valor, ou que o modo de acumulação não é histórico, só para citar 2 casos. Mais, se não acharem não têm financiamento para trabalhar e testar hipóteses. Ou seja, estatisticamente os que não pensam assim a priori ficam de fora. Talvez exista aquecimento global, talvez não; talvez estejamos num período glaciar, talvez o eixo da terra, talvez. A ciência não se divide como uma claque futebolística, e nem todos os que querem ter tempo para pensar na evolução da terra e da sua complexa relação com a espécie humana são membros do Partido Republicano dos EUA. A verdade é que a tese do apocalipse tem legitimado a explosão dos impostos e subsídios à reconversão da indústria, a dita economia «verde», dos quais a maior beneficiária foi porventura a indústria automóvel. E só isso já nos devia fazer pensar. Não concluir, mas pelo menos reflectir sem fanatismos.

Se sobre este tema acompanho os que pedem cautela, sobre o outro tema, associado na esfera política, do decrescimento, não tenho nada a dizer a não ser que é ridículo. Não se consome muita carne no mundo, consome-se muita carne nas classes altas, numa minoria, infelizmente a maioria da humanidade não tem acesso aos mínimos de proteína animal; não se consome muito cimento no mundo, se no ocidente há casas a mais no sul global as pessoas vivem como animais, só para citar dois casos. Claro que tudo isto tem associado o aumento absurdo da população mas antes desse – que é urgente rever e mudar – está outro: o sistema económico que determina que em primeiro lugar está o lucro, em segundo o lucro, em terceiro o lucro, em quarto o lucro e em vigésimo as necessidades humanas. Por isso é que mais depressa vemos um ecologista lutar por subsídios à Volkswagen e proibição de entrada de carros na cidade do que por transportes públicos gratuitos. O primeiro dá lucro, o segundo presta um serviço.

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