Alô! Call Centre? Só liguei para dizer-vos, estou convosco!

Segunda feira os – considerados frágeis – trabalhadores de call centre vão entrar em greve, apoiados pelo seu Sindicato de trabalhadores de call centre.  Tive a honra de os conhecer estes dias. Digo honra porque estou entre aquele grupo de pessoas que acha que o trabalho não é só um direito – para quem tem saúde e é adulto é um dever. Que trabalhar por 600 euros é muito mais digno do que pedir dinheiro aos pais. E que 600 euros são tão indignos que o melhor é se organizarem e imporem que os 70 milhões de euros de “resultados líquidos” desta empresa, análoga ao transporte de negros na escravatura – limita-se a intermediar trabalho, é este o seu contributo para a produção nacional…- seja no mínimo partilhado entre quem produz, as pessoas que estão 8 horas por dia a atender os telefonemas que fazemos para bancos, empresas, saúde etc. Para que tenham um salário mínimo real que pague os custos reais e que não os sujeite à indignidade da assistência familiar ou Estatal. Conspirem, se a lei não vos protege; reúnam-se, de madrugada e às escondidas se for preciso; actuem, como fez o movimento operário quando começou o seu caminho há 150 anos – organizem-se, numa palavra. Lutar dá dignidade, pedir tira-nos a vida. Foi isso que eles fizeram. Vão exigir um salário base de 750 euros. Uma empresa que tem trabalhadores em salário mínimo e lucros devia ser proibida de distribuir dividendos.

Um salário mínimo na ordem dos 600 euros – que o patronato pretende transformar em salário máximo para muitos sectores – é uma ficção possibilitada pelo Estado, que recolhe impostos dos sectores médios e depois os entrega de facto às empresas privadas, usando dezenas de fórmulas: benefícios fiscais, isenções para a segurança social, saúde, educação, estágios, livros subsidiados, rendas subsidiadas, RSI, descontos na factura da electricidade, etc. Sem esta parafernália assistencialista, e sem a ajuda familiar, os empresários privados não teriam, dia após dia, os seus trabalhadores de pé e a produzir nas empresas – por fome e pura exaustão.

Só liguei para dizer-vos, estou convosco!

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5 thoughts on “Alô! Call Centre? Só liguei para dizer-vos, estou convosco!

  1. Pingback: GREVE DE 24HORAS NO PRÓXIMO DIA 6 DE FEVEREIRO (SEGUNDA-FEIRA), POR SALÁRIOS JUSTOS E CONTRA O MEDO E A PRECARIEDADE! tás logado? – tás logado?

  2. Raquel Varela,
    Agradeço o teu texto em nome daqueles que trabalham em call-center. Ouvi-te pela primeira vez na reunião do STCC, quando fizeste parte da mesa. Não sou sindicalizado, mas estou a fazer Mestrado Sociologia nesta área. Obg pelo teu contributo!

    Partilha:
    https://www.facebook.com/groups/382834778742531/

    Denúncias relacionadas com Call-Centers em Portugal para efeitos de Tese:
    Proibição de idas à casa de banho; humilhações; chefias autoritárias; falarem consigo aos gritos; faltas de respeito; não cumprimento com as pausas; chamadas ininterruptas; TMA (tempo médio de atendimento de chamadas)….
    E-mail: call-center-denuncias@sapo.pt

    A tua denúncia fará a diferença na luta pelos direitos, para uma maior dignidade humana nas funções daqueles que trabalham em call-center!
    A tua denúncia pode ser anónima.

    Facebook: https://www.facebook.com/groups/382834778742531/
    E-mail: call-center-denuncias@sapo.pt

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