Compaixão

Ontem por acaso um dos meus filhos perguntou-me o que era compaixão. Tive que pensar um bocado, disse-lhe que era como saber estar no lugar do outro, era na verdade um sentimento muito difícil. E bonito. Disse-lhe para perguntar ao pai, também. Não achei a minha resposta suficiente. Os meus filhos já dormem. Mas amanhã mostro-lhes este vídeo do neurologista Bruno Maia. Acho que já no fim da sua magnífica intervenção ele explica bem o que é compaixão. Dizer que o que interessa não somos nós, mas quem está em sofrimento. Que o sofrimento alheio nos obriga a hierarquizar decisões. Nunca tinha pensado nas coisas com esta clareza: não é um debate sobre os médicos, mas sobre os doentes. Não é sobre quem está bem, é sobre quem está mal. A “culpa”, o “pecado” e outras formas de pensamento mágico de quem dá a substância são irrelevantes perante a dimensão do sofrimento alheio, e da autonomia e liberdade de quem sofre. Sou subscritora desde o início do Manifesto público pela Eutanásia.

https://www.facebook.com/bcmaia?fref=nf&pnref=story

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One thought on “Compaixão

  1. Infelizmente, o significado da palavra “paixão” degenerou, no português, ao longo dos séculos. Em latim, significava sofrimento. De facto, as pessoas sofrem quando estão “apaixonadas”. Ou então, não esquecer, a “paixão de Cristo”, ou seja, o sofrimento de Cristo. Assim, tal como, por exemplo, “compartir” é “partilhar com” também “ter compaixão” é sentir o sofrimento (ou a paixão) do outro como se fosse, ao mesmo tempo, um sofrimento nosso.

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