O Padeiro e o Banqueiro

O dono da padaria portuguesa diz que vive em concorrência, não pode pagar muito mais do que o salário mínimo, e quer os trabalhadores disponíveis a qualquer hora para ele, se não a empresa fecha e os trabalhadores perdem o emprego. O dono da padaria portuguesa tem que pagar o lucro do proprietário de terra que faz trigo; o lucro da empresa de transportes que o transporta para a cidade; o lucro da Galp onde a empresa mete gasóleo; o lucro da EDP; o lucro da Bosh que lhe vendeu o forno e os frigoríficos; o lucro dos accionistas bancários que vivem da dívida pública via impostos ao Estado que paga o dono da Padaria; o lucro do banqueiro que lhe emprestou dinheiro. Cansados? Ele ainda tem que pagar pelo menos o lucro a mais 100 empresas (fruta, leite, sumos, vidros, janelas, pinturas, alumínio, limpeza…). E todo este lucro vem do meio de uma relação entre um pão e o consumidor. Chama-se capitalismo, fazer dinheiro com serviços básicos e elementares, ou, na versão ideológica não científica «o sistema económico» – assim, o «sistema», até parece cientifico e eterno, estilo lei da gravidade. O corajoso empreendedor vive aterrorizado com medo de ser esmagado pela concorrência e ficar endividado ao banco a quem pediu dinheiro, com juros, para intermediar o consumo de pão e sumos. O banqueiro também tem medo porque pediu ao outro banqueiro mais dinheiro, a juros também. O dono da padaria quer ter menos medo, o banqueiro não gosta de sustos, flexibilidade é bom mas só se for para os outros, para nós segurança, máxima! E qual é o selo de emprego para a vida do dono da padaria? Os 500 euros que paga aos seus trabalhadores. O dos banqueiros já sabemos, somos nós os contribuintes. Emprego para a vida está-lhes garantido pelo Estado, que lhes protege as dívidas. Não se vá dar o famoso «risco sistémico». Mais seguro ainda, explicaram, é se os trabalhadores da Padaria Portuguesa ficarem lá até às 11 da noite – nem com o padeiro dormem as mulheres! Amor, isso é?! Deixa-me pensar…Vida própria? Família, lazer, pieguices… Pagam 400 euros de casa, 100 de passe social e vão mendigar o cabaz social e a tarifa social da electricidade e a isenção das taxas moderadoras ao Estado, dobrando-se na frente da assistente social, que lhes vasculha a vida, humilhando-se – a isto chama muita gente, defendendo a assistência social, «dignidade», ou seja trabalhar e não conseguir sequer comer e pedir ao Estado comida, no século XIX. Perdão, queria dizer XXI.
Marcelo Rebelo de Sousa tira selfies. Dá abraços e pede paz social.

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16 thoughts on “O Padeiro e o Banqueiro

  1. Concordo em absoluto com o que escreveu, estamos numa altura em que as pessoas não têm vergonha de dizer que as lutas que assumem são sempre contra os mais fracos, aliás, até se gabam desse facto, o poder passou a ser visto como qualidade intrínseca de alguém.
    O que será que os portugueses responderiam se lhes fosse perguntado o que significa a palavra “dignidade”?

  2. Lamentavel este artigo.
    Mediocre análise social.
    Mais parece umb relato jornalistico de um qualquer pasquim de escândalos.
    Lamentável cara Raquel.

    • Nós é que deveríamos lamentar esta sua posição!
      Mas como Democrata, que sou, lá tenho que as ouvir!!! Lamento, que ainda existe pessoas, a defender posições completamente fascista..
      Lamento Luís Freitas

    • Lamentável porquê?? Porque o impressiona saber que certos “empresários” da “moda” são MUITO MAIS INSENSÍVEIS SOCIALMENTE que alguns – que eu conheço e que são meus clientes – da velha guarda?? Por mim pode continuar a alambazar-se com pães e bolinhos que confesso não são muito diferentes que os de certas pastelarias de bairro (ex Lua de Mel), com a vantagem de não terem a “cagança” destes idiotas..e mais: preparem-se para um estoiro um dia destes…desde a falência a té à insolvência..lembrem-se da “extraordinária” empresa-conceito que era..A Vida É Bela..ahahah deixou centenas de pessoas a falar sozinhas..

  3. Excelente Artigo Raquel…!!!!
    Não poderia estar mais de acordo, actualmente uma grande parte dos Portugueses somente sobrevive com o actual nível salarial imposto e que alguns dos nossos dirigentes políticos que recebem acima da média ainda afirmam ser demasiado alto…
    Esta sociedade em que os trabalhadores são sempre aqueles que têm de sofrer com a a ganancia de patrões e banqueiros tem de ser posto em causa, não esqueçamos que também foi por isso que fizemos uma revolução em Abril de 1974…Ao que parece hoje em dia a nível de escravidão não só é maior como foi instituída…
    Parabéns e continua a divulgar as injustiças e imoralidades deste sistema….!

  4. Certo é que anda de BMW e não de fiat punto. Porque ninguém compara Alemanha/Portugal: iva 19/23 Saúde de borla no publico e no privado/com taxa moderadora cara no publico e só para rico na privada, Ensino gratuito/ensino tendencialmente, ah ah ah bem pago especialmente a livreiros, fomenta-se a família onde as mães têm os primeiros 4 anos em casa com os filhos subsidiados pelo estado (quase não há creches na alemanha)/ gravidas, com filhos se não são despedidas ficam em casa umas semanas e logo se tem de largar o bébé na creche bem paga para ir trabalhar se calhar a receber menos que o que é pago na dita creche, ainda acerca da dignidade feriados têm mais uns 4 que nós sendo por exemplo a 2ª feira de páscoa e o 2º dia de natal por cá só não se trabalha ao dia de natal porque a merkle se esqueceu de perguntar “os portugueses não trabalham dia de natal?” pois na alemanha ainda têm os domingos e feriados a nível de comércio fechados pois por lá o domingo é chamado do dia da família…etc Em frança por exemplo acho curioso baixarem a idade da reforma e por cá aumentam-na é isto a europa das igualdades o que sobe de um lado desce no outro.

  5. …vi na televisão o administrador da padaria portuguesa dizer com grande orgulho q ia abrir mais umas unidades em Portugal, isso iria aumentar as vendas, o volume do negócio aumentará em mais uns tantos por cento. É o resultado das erradas lições dos macroeconomistas, e q incitam os empreendedores incautos a crescer desmedidamente, procuram cegamente o objectivo de aumentar as vendas sem escolher a melhor área de actividade nem a melhor forma de obter uma mais valia do esforço do trabalho, q permita melhorar a remuneração dos trabalhadores, considerando secundário a qualidade dos produtos e o bem-estar dos funcionários. Ou seja, há cada vez mais empresários a apostar em serviços e produtos medíocres para servir os Portuguêses e aumentar as exportações, fomentando o emprego para a sobrevivência, com ganhos reduzidos, porque no fim quem ganha é o agiota, q aparece sob as mais diversas formas, até mesmo com a figura do Estado. Assim temos um Estado sempre sedento de impostos, para pagar uma dívida impossível, e todos os anos a rendibilidade do trabalho dominuí, empobrece o país e os cidadãos,… julgo q a isto a esquerda pode chamar com razão, de capitalismo selvagem!?…

  6. O ditador Salazar, nos seus discursos fascistas, afirmava: “Pobre sempre os houve, e necessário que os haja” só um fascista pode dizer isto…E ainda existem muitos por cá… a venerá-lo…
    Uma vez obrigado, por mais um excelente artigo… Não desista de dizer a verdade, que pensa e estuda…
    A minha tristeza, é que cada vez são menos aqueles que tem a coragem, de darem a sua opinião…e tomar a posições…

  7. Ainda dizem que os jovens empresários são sensiveis , este escremento de gente que viver num palacete tem um Ferrari e um iate na Marina, tudo isto pagando uns miseráveis 475 € e fazendo o pessoal trabalhar 12 horas ele que viva com esse dinheiro nojento. Por mim nunca mais vou há PADARIA PORTUGUESA ELE QUE COMA O PÃO E PAGUE COM SEU ORDENADO DE MERDA 475€

  8. Claro que sim! No entanto o que lhes vale é nao ser aceite a inversão do ónus da prova para efeitos fiscais por suposta inconstitucionalidade. Inconstitucional é não pagar integralmente todos os impostos devidos e arrecadados, é não cumprir a legislação laboral e é escravizar os trabalhadores com jornadas de mais de 60 horas semanais. Inconstitucional é globalizarmos com economias sem direitos laborais, sem sindicatos, sem férias e sem acesso à informação. Inconstitucional é pagarmos os lucros e o prejuízo das corporações e dos bancos! Em Portugal bastaria garantir a eficácia do sistema fiscal e as conversas dos donos das padarias portuguesas não passaria de conversa da treta. Os partidos ditos de esquerda e os partidos social-democratas mais legislação não teriam que produzir do que garantir a eficácia dos sistemas fiscail e judicial. Sem isso certamente não vivemos em democracia , absolutamente, não vivemos numa república.

  9. Não comento o artigo,mas que, se acontece o que dizem, a padaria portuguesa pratica um acto de violência sobre os empregados, é um facto. Não devia ser permitido. Obviamente que as empresas têm as suas despesas, mas sem trabalhadores não existem empresas. Por isso, a preocupação de qualquer empresário deveria ser pagar bem aos seus empregados, tentando reduzir custos noutros segmentos da despesa. Será que é difícil entender isto?

  10. Vamos la por parte…. a padaria nao paga ordenados mínimos… como eu sei? Eu trabalho nela… a padaria nao faz o empregado fazer mais que 40h como eu sei? Eu trabalho nela. Sabia que a maioria dos restaurantes em Portugal… trabalha com o um horario laboral de 56h e apenas uma folga para o seu colaborador? Oh meu deus que chocante! Ai deves pensar…. Será que pagam mais a esses empregados… nao… eles sim ganham o ordenado minimo… e sabe o que os seus e meus antigos patroes dizem… ganhas mais com as “gratificacoes” que os clientes te vão deixar… Não achas que isso sim é trabalhar com esmolas? Esses restaurantes são aqueles que voce sentou e comeu a sua vida toda, que foste atendida com simpatia de uma pessoa que esta ali realmente pela vida. Isso é tudo muito bonito agora… Estão a falar sobre uma pessoa muito ” exploradora” mas no final… Ninguém quer saber dos empregados que uns nao tiveram a oportunidade de estudar e levaram com essa vida alternativa… no final… quando vcs estão la sentados… Vão apenas dizer… ” olha.. tivesse estudado. ” e no final… vai esta tudo igual a todos os anos que sempre foi assim neste ramo de exploração…. que posso dizer que em 12 consigo apenas dizer duas empresas que cumpre com tudo… entretanto so uma delas paga mais que o smn … advinha quem? A padaria Portuguesa.

    • Rafael Aniceto, pelo que eu li, ninguém e contra os trabalhadores, está contra as declarações prestadas um canal de TV, pelo seu patrão (accionista)! E isso de “ninguém quer saber dos empregados”, não corresponde á verdade, a Professora, e Investigadora Raquel Varela (não tenho nenhuma procuração para a defender, é certo), nunca a ouvi falar contra os empregados como o diz (trabalhadores, que vendem a sua força de trabalho)… Mas se é trabalhador (explorado), defenda os seus interesses e não os do seu explorador (patrão)… E já agora, verifique, quem são os accionistas. (Vai) Vão ter uma surpresa!

  11. Abre padarias uma atras das outras e tem medo das dividas? Nao pode pagar os funcionários?
    Ele é mesmo um comediante.
    Se esta individado com os bancos é por conta da ganancia que tem em abrir pontos, os quais, algumas vezes, acabam por criar o fecho de alguma concorrente visinha.

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