Abstinência sexual? Cuidado, afecto, segurança…

Vim em defesa do CDS sobre a abstinência sexual – antes de me crucificarem, logo a mim, uma ateia, a favor do aborto, deixem-me explicar-me. A primeira razão é que ninguém leu o comunicado, muito menos o jornalista que fez o título bombástico. E devemos enfrentar os desacordos com honestidade, não deturpando a mensagem porque não gostamos do mensageiro. Há uma pressão social entre os jovens para a vida sexual começar cada vez mais cedo – isso é um erro porque o ganho da humanidade com as crianças no último século foi justamente tirá-las do mundo do trabalho e estender a parte de educação e protecção, o que teve como consequência o aumento do tempo da infância. Exagerámos, uma vez que esta infância está a chegar aos 40. Exagerámos porque não associamos direitos a deveres. E porque somos patologicamente narcisistas e queremos é amor, ou simulacro de amor sem conflitos. Mas não quero fugir do tema. Educar sobre sexo, como?

O CDS é um partido rentista, não vivem sobretudo do trabalho mas da remuneração da propriedade que herdaram, seja em terra seja em títulos de acções – nada explica tão bem os interesses que representa como a subsídio-dependência dos seus membros da CAP (agricultura) para receber dinheiro dos impostos da UE para pararem de produzir – vivem portanto não de trabalhar mas da renda da propriedade da terra, terra que, lembro, Deus deu à humanidade. A sua relação com a terra – que depois se ampliou para rendas móveis (sector financeiro, dívida pública, PPPs, imobiliário) leva-o a procurar conservar uma estrutura de família onde a todo o custo se impeça a divisão desta propriedade. Esta excrescência semi feudal faz com que a relação entre o partido e o fundamentalismo cristão – da Opus Dei, por exemplo -, seja uma constante. É por isto que o CDS vem defender a abstinência sexual. Ou seja, pelas piores razões.

Mas…As relações voláteis, superficiais de hoje são a cara da velocidade da rotatividade dos capitais, tudo é para trocar rapidamente – isto teve como consequência uma diminuição da educação como cultura e um retorno paulatino ao estado selvagem da humanidade na educação das crianças que é «deixá-las fazer o que querem» – algo que não existe porque elas não sabem o que querem, elas querem um conjunto de valores, princípios, regras que adquirem do mundo em que vivem. Não há vazio. Estão assim em modo de auto gestão, o que faz com que estejam a retornar a hábitos e formas de estar essencialmente instintivas e repetitivas – comem mal, dormem mal (quando querem), pensam mal. A cultura, enquanto construção, isto é, a contrariedade da natureza e dos instintos, está cada vez mais ausente. Isto faz com que uma criança de 14, 16 anos seja infantil, não tenha responsabilidade sobre trabalhos na escola ou em casa (o que acho errado mas muitos parecem achar normal), mas tenha relações sexuais, o que muitos acham normal ou inevitável.

Ora, a ideia de que a educação sexual deve contemplar que ninguém tem que ser «careta» porque começa a ter relações sexuais aos 18 ou 20 anos não é, desculpem, errada. Ideia errada é a pressão que há entre os jovens, muito jovens, de que o sexo é tão natural como não se levantar do sofá para ir buscar um copo de águia e pedir à mãe para o trazer… Tão natural que a pergunta «és virgem?» ou é respondida com uma mentira, ou com álcool (dizem os estudos, não eu) ou com medo, medo de dizer que não é virgem. A palavra abstinência é má, mas as palavras cuidado, segurança, atenção, confiança, são boas. O sexo acima de tudo é uma decisão de liberdade, portanto não pode ser tabu, nem para proibir nem para impor. A educação sexual ideal seria para mim a que fala de saúde, reprodução, prazer e corpo, amor e liberdade. Tão mau como um mundo onde o prazer e o amor são tabus, proibidos, ou os casamentos se prolongam para salvar heranças de família (ai ai CDS…), é um mundo onde uma claque de miúdos ditos modernos define qual é a idade para alguém começar a ter relações sexuais e a partir de que data ele começa a ser um careta…

Pausa
-1:37

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Raquel Varela
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2 thoughts on “Abstinência sexual? Cuidado, afecto, segurança…

  1. Eu sou seguro,psiquicamente,nao tenho maldade,sexo para mim,e partilha de amor,personalidade para mim de uma mulher,mais importante que o fisico,quando amo,fico nas maos da amada,dou—me todo,porque sou puro de sentimentos.mulher solta…de mais,perde o encanto,e ha o factor seg.como disse.saude para si,e discernencia,admiravel senhora.

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