Ainda mal começou o revisionismo de 1917…

O Expresso escolheu fazer a biografia do coveiro da revolução russa – Estaline – que em 1928, depois de expulsar a Oposição de Esquerda, iniciou a longa marcha do trabalho forçado na URSS – Estaline. O líder da casta burocrática que chamava socialismo à acumulação particular de uma ínfima minoria, em cima de uma ditadura. Mandou fuzilar quase todo o comité central bolchevique e lideranças do exército vermelho nos processo de Moscovo. Foi portanto não o líder da revolução mas a cabeça da contra revolução. Não escolheu fazer a biografia do líder, Lenine, ou do líder da Oposição de Esquerda, Trotsky, um dos maiores generais da história que não só liderou a revolução como durante mais de 2 anos a bordo de um comboio derrotou mais de uma dezenas de exércitos contra revolucionários. É ainda o maior teórico do século XX, na minha modestíssima opinião que tive a sorte de ler uma parte muito pequena do que escreveu, a começar pela monumental obra História da Revolução Russa que por cá nem está publicada mas é de leitura obrigatória em algumas universidades norte-americanas – ah, a sabedoria do império! O Expresso convidou ainda um ex trotskista – Francisco Louçã – e um «herdeiro» dos exércitos brancos, Paulo Portas, para prefaciar a obra Estaline. Começa assim a celebração historiográfica da maior revolução da história da humanidade. E ainda só é dia 3 de Janeiro. Quando chegarmos a Dezembro o Hermitage não vai ser um palácio com lustres de ouro, pedras preciosas e 12 tipos de madeiras em cada chão trabalhadas à mão, com cristais nas paredes, construído em centenas de anos de servidão, mas um distinto albergue social. Estaline, que levou a Rússia para a II Guerra, ao não ter apoiado a frente popular francesa, a revolução espanhola e depois do desastre da política da Internacional comunista na Alemanha ainda vai acabar este ano como o herói que venceu a II Guerra…O que dá jeito hoje é propagar esta mitologia da historiografia liberal de que a revolução russa – 1917-1927 – é igual à contra revolução russa 1927-1991 – para que a barbárie que vivemos jamais seja questionada recorrendo aos melhores exemplos do passado. E, claro, dizer que dentro de cada socialista há um Estaline escondido. Mesmo que os socialistas tenham todos sidos mortos por…Estaline.

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