Imposto da Geringonça, ele move-se

O Governo anunciou um pacote de medidas de combate aos acidentes rodoviários que inclui obrigar as pessoas com mais de 65 anos a novos exames, certificados, registos e outros documentos que implicam sempre o pagamento de taxas. Como a maioria absoluta e relativa dos acidentes são com jovens e não com idosos tal medida não é mais do que imposto sobre pensões e reformas. Na minha rua – empedrada, onde tenho o privilégio de ter uma placa a dizer “limite de 30”, uma excentricidade holandesa a poucos km do centro de Lisboa – às 7 e 40 da manhã passam dezenas de carros a 60 km/h e 80 km/h de jovens atrasados para ir para o trabalho. Moram aqui dezenas de crianças, que a essa hora também vão para a escola, perante a indiferença dos adultos que aceleram. Em Belém, para não incomodar turistas, há um radar com limite de 50 km/h numa estrada com duas faixas de cada lado. É difícil encontrar um morador da linha que já não tenha pago o imposto “radar de Belém” – na verdade aquilo hoje é uma espécie de portagem. Na aldeia onde a minha família mora parte do tempo ninguém entra, na aldeia, a menos de 80 km/h, 100 km/h – incluindo muitos dos moradores – já mandaram os muros das casas da entrada várias vezes abaixo. É nesta e em todas as aldeias do país, pior para andar na rua que um bairro residencial em Portugal só mesmo uma suave vivência no campo! Assim vai o Governo preocupado com a nossa saúde e vida. As associações de idosos, de protecção rodoviária, como a ACAM, já vieram explicar que é ridículo porque estatisticamente é nas camadas jovens que está o maior perigo. O Governo – e o “Estado sou eu” – ignorou e segue na sua colecta fiscal disfarçada de “protecção rodoviária”. Medidas que realmente contenham velocidades absurdas em lugares de passeio, respeito aos pedestres, isso… continuamos à espera.

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2 thoughts on “Imposto da Geringonça, ele move-se

  1. É importante que tudo pareça normal e saudável para manter o embuste que é esta sociedade. Os intelectuais da actualidade espantam os outros com coisas que são óbvias e evidentes, é este o estado da nossa civilidade. Ninguém parece querer falar sobre assuntos realmente importantes, ninguém parece querer mudar radicalmente a sua forma de existir. O contentamento com a mediocridade é também miséria humana. O cidadão adaptado é o cidadão feliz, não importa o custo dessa felicidade, não importa se a expressão individual é aparente, tudo o que importa é a qualidade da recompensa. É chocante tudo isto. A importância de cada um é a sua própria especificidade, o património irrepetível que somos todos nós tem de ser o centro de todas as nossas preocupações.

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