A Ceia natalícia de Belmiro

O Governo decidiu usar o dinheiro dos meus impostos para aumentar o salário mínimo, com o truque da TSU. Quero deixar claro que não se trata de solidariedade com os trabalhadores mas de solidariedade dos trabalhadores – como eu – com os patrões. Vamos ter os enfermeiros a pagar à Galp para aumentar o salário mínimo dos trabalhadores da Galp para a remuneração dos dividendos de Amorim não cair; ou os professores a pagar à família Sonae o valor precioso do índice de remuneração de activos no PSI 20. Este ano o Ferreirinha especial na mesa de Belmiro pago eu. Feliz Natal!
 
A consequência, além de beberem um bom vinho na ceia de Natal à minha conta, é que há cada vez menos dinheiro no Estado social e despedem-se professores e enfermeiros. Não é solidariedade, é mais um episódio de saque fiscal sobre quem vive do salário em solidariedade com quem vive de rendas, lucro e juros. Dito isto o salário mínimo é uma vergonha – só existe porque existem milhares de empresas em Portugal que só são viáveis no quadro da competição capitalista praticando estes salários, incluindo grandes empresas e suas sub contratadas. Não são inovadoras, não têm responsabilidade social, não são os seus dinâmicos CEO – estas empresas existem porque pagam salários abaixo da reprodução biológica, que é o que é o salário mínimo. Se era para usar dinheiros públicos então em vez de financiar-se com os impostos de quem trabalha estes desastres produtivos, que é o que são empresas que dizem «não ter capacidade para pagar salários decentes», use-se para criar emprego público onde escasseia, em escolas, hospitais, e prestar serviços planificados e racionais. Lamentável, lamentável. Não admira que tenhamos um Presidente da República, alto quadro do PSD, a explicar, abraçado ao líder do PS e Primeiro Ministro que este ano correu lindamente. É que tudo isto se passa com o apoio da UGT e a passividade da CGTP.
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3 thoughts on “A Ceia natalícia de Belmiro

  1. Sinto um pequeno desafogo porque a Raquel falou por mim, e por isso lhe agradeço. Sinto revolta (apesar de não ser atingido pela “magnânima” benesse): tanta gente na (quase) miséria a contribuir para encher os bolsos dos patrões! Pouca vergonha, que tem de se denunciar.
    Aproveito para lhe desejar um santo Natal e um feliz 2017, com os melhores êxitos pessoais e profissionais.

  2. Muita confusão nessa cabecinha Raquel!
    1. Terias de começar por referir a ilegitimidade democrática da designada ” Concertação Social”, a qual foi instituída , fora do quadro constitucional, para servir os privilégios dos patrões!
    2. Aceitar a “Concertação Social” com três representantes patronais e dois representantes dos trabalhadores, é aceitar que os patrões batam feio e forte nos trabalhadores!
    3. Depois referes Raquel que há muitas empresas que não seriam viáveis com o aumento do salário mínimo, o que é um argumento dos patrões!
    4. Misturas Galp … com salários mínimos! Desconhecesse que os oligopólio e têm lucros supra normais derivados de preços de oligopólio e por isso pagam acima do salário mínimo?
    5 Finalmente deverias saber Raquel, que as empresas têsteis, ganham que se farta á custa do salário mínimo miserável: pagam um salário miserável, mas vendem a preços da UE. O resultado são “Ferraris” …

  3. Pingback: O Natal dos patrões | Escola Portuguesa

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