Os medíocres vão para o céu?

O Ricardo Araújo Pereira é um génio num país de medíocres, porque a mediocridade é o reino dos países em decadência económica – só eles passam no buraco da agulha da mobilidade social. Quando há decadência histórica das nações a tendência é para o mérito, já ele tão selectivo, ser substituído pelos ambiciosos-medíocres. Estes sobem na escala do elevador social não pelo trabalho que fazem mas pela estreita vigilância que fazem do trabalho dos outros. São especialistas em menoridades, insignificâncias, procedimentos, relatórios e palavras proibidas, a que fazem estreita vigilância. A função deles é em suma vigiar o trabalho dos que lhes fazem sombra. Praticam o assédio moral mas quando lhes damos um grito ou uma palavra forte choram e dizem «ele foi bruto, agrediu-me!». Uns mariconços, que hoje, Oh Jesus! chamam a RAP Trump, será verdade ou li mal??? por causa da palavra «mariconço», quando sabem que no fundo são poucos os que a usam hoje como homofobia declarada (jamais RAP que pautou a vida pública em defesa dos direitos) e muitos os que a usam para descrever eles e elas mesmas, as pessoas cuja qualidade que lhes permite ter reconhecimento público foi a cobardia, misturada com muita ambição. De tal forma que «mariconço» é proibido, mas «salvar a CGD ou pagar a dívida pública» são factos normais, que jamais lhes despoletou qualquer reacção, a quente ou a frio. Jogam à esquerda na vigilância com as palavras, à direita na economia, ao centro nas eleições. Estão por isso em todo o lado. Não se consegue folhear um jornal sem dar de caras não com um mas com vários.

RAP é uma das pessoas realmente cultas deste país com impacto de massas, vou dizer de novo, uma das raríssimas pessoas com cultura a sério – e não de fachada – que tem acesso aos media. É um descanso na loucura da superficialidade a que se votaram os media. É dar uma olhada nos colunistas que hoje o atacam e perguntar: o que fez esta gente pelo país? Qual foi o seu contributo para a economia, a sociedade ou a cultura do país? O que deixam escrito ou feito pelo país que valha a pena citar uma vez que seja? Zero. Nada.
RAP não precisa que eu o defenda, claro, mas fica aqui a minha sincera admiração, trata-se de uma mistura genial de humor, conhecimento dos clássicos da literatura, questões do modo de vida, filosofia e cultura raras.

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