Observando a RTP

Há mais de dois anos que participo em programas de debate semanais na RTP, cuja qualidade acho subiu muito com esta administração/direcção em séries, documentários, reportagens, etc. Não sei se temos educação e cultura, ou seja, país para a RTP actual. Dito isto, o painel de comentadores escolhido para comentar a entrevista de António Costa pela RTP foi lamentável. Pelas razões óbvias: cada um de nós representa interesses políticos, quer esteja ou não num partido. Podemos ser ou não sérios – conheço tipos de esquerda muito sérios e tipos de direita sérios, e o inverso é verdade, para ambos. Mas todos representam interesses, regionais, sociais, de classe. O Observador por exemplo representa um sector neo-cons muito ligado à presença de capitais financeiros internacionais, de ligação entre algumas multinacionais e nacionais, como é o caso do grupo Jerónimo Martins/Unilever. É livre de lutar pelos seus interesses, ter um jornal, e nós discordarmos ou não com o que lá se publica. Eu não leio, porque tenho pouco tempo livre mas às vezes passam aqui no mural ideias e colunistas desse jornal e vou tendo uma ideia da sua luta mediática contra o aumento do salário mínimo e outras militâncias. Agora o Observador e esta ala política representa uma percentagem ínfima da população portuguesa. Há 4 milhões que vivem do trabalho e não de juros/rendas ou dividendos, 1 milhão de desempregados, entre 600 a 800 mil sindicalizados; metade da população vive fora de Lisboa e do Porto; uma parte no interior. O país é complexo e o serviço público deve ajudar a mostrar quem somos, não pode ser uma lupa de interesses minoritários que se agigantam pela presença desproporcional que têm na TV. Finalmente não compreendo, eu que não apoio a geringonça, porque António Costa depois de ser entrevistado precisa de explicação e legenda. Acho até um pouco rude para dizer a verdade, um tipo acaba de dar uma entrevista e vêm 4 outros explicar ao povo e contar às crianças o que ele realmente queria dizer…

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3 thoughts on “Observando a RTP

  1. Totalmente de acordo com a análise que faz. O parágrafo final retrata bem a pobreza de espírito e a mentalidade pacóvia daqueles “comentadores”, que já se sabe ao que vêm (chega a ser ofensivo) – por isso, mal vi as caretas dos “educadores”, desliguei.
    A entrevista foi abominável, do ponto de vista jornalístico: aquilo não foi serviço público, foi servicinho de interesses!

  2. Comentadores esses, que servem para digerir e interpretar eles as notícias – para, deste modo, impedir que sejam os próprios espectadores a fazê-lo. Sendo esta mais uma de várias técnicas de “controlo de pensamento”, que servem para reprimir e adormecer o sentido crítico das pessoas que perdem o seu tempo a ver televisão.

    Quanto à “Rádio, Televisão e Desinformação de Portugal”,

    Eu, por outro lado, desde que comecei, no início da década passada, a prestar atenção ao que diz a imprensa alternativa, fui tendo cada vez mais consciência do quão mentirosa é a RTP – e, subsequentemente, do quão mau é o suposto “serviço público” prestado pela mesma – ao ponto de, hoje em dia, já me recusar eu a ouvir sequer o que tem esta estação de televisão a dizer – por estar eu mesmo muito consciente de que esta é apenas mais um órgão de propaganda dos grandes interesses económicos (neste caso, controlado indirectamente pelos fantoches estatais destes grandes interesses).

    (Mas, do pouco que ainda vou apanhando…)

    Basta ouvir o que têm a dizer os ditos “comentadores”, que comentam sempre a favor destes grandes interesses económicos (“O Trump é mau”, “A imprensa alternativa emite falsas notícias” etc) para ser claro que interesses é que esta estação de televisão defende. Sendo que, a simples existência de “comentadores” nesta estação elimina logo à partida a suposta independência da mesma e de qualquer órgão de comunicação – pois, as opiniões e interpretações são sempre subjectivas, pessoais, parciais e relativas, enquanto que os factos (que é no qual um suposto órgão de comunicação “independente” se deveria concentrar) são apenas objectivos.

    E, isto, partindo do princípio de que um órgão de comunicação que apenas relate factos pode ser “independente” – o que não é, nem nunca pode ser. Pois, por mais que uma pessoa se esforce, o seu ponto-de-vista acaba sempre por se reflectir no modo como relata as coisas – e, o simples acto de se escolher o que deve ou não ser relatado, elimina, logo à partida a dita “independência”. (E, digo isto também porque, tal como toda a gente que lê a imprensa alternativa sabe, um dos métodos de propaganda mais usados pela imprensa controlada é a simples *omissão* de factos, que permitem uma leitura mesmo muito diferente dos acontecimentos.)

    [continua]

  3. [continuação]

    Com todo o respeito, Dr.ª Varela – e sem querer soar paternalista (muito menos vindo de alguém que tem a mesma idade que você) – mas, dizendo isto com conhecimento do assunto, por há já muito tempo estar eu atento à verdadeira natureza dos média de massas, em consequência de ter estado algo envolvido na actividade jornalística, enquanto mero “jornalista cidadão” – a razão pela qual lhe é a si dado tempo de antena, é porque as denúncias que você faz nunca vão ao fundo (às causas maiores) das questões que denuncia e andam sempre mais à volta dos efeitos ou consequências. E, o dia em que você se aperceber das verdadeiras (e maiores) causas dos problemas sociais que denuncia, será o dia em que deixará de ser convidada para programas da RTP e afins.

    E, se quiser, deixo-lhe aqui duas dicas sobre dois exemplos do que estou eu a falar, quando digo isto.

    Primeiro, se quiser saber como são os média de massas controlados pelos grandes interesses económicos (e com que finalidade emitem estes a sua propaganda), existe um livro que foi censurado em Portugal, por ordem de Francisco Pinto Balsemão, mas cuja versão posterior não censurada ainda se encontra à venda: http://6.fotos.web.sapo.io/i/o41140ea4/17596647_i1zW0.jpeg

    Segundo, e muito mais importante para si, se quiser saber a verdadeira causa de ser de toda esta dita “crise” económica, pode começar por aqui: h*tp://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=10579.0 – sendo que, para consultar as hiperligações que constituem as fontes de tal denúncia, tem de ir aqui: h*tps://web.archive.org/web/20131105185520/http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?f=24&t=10579

    (Nota: Nas hiperligações é preciso substituir os “*” pelos omitidos “t”. Deixando eu aqui as hiperligações desta forma para que não vão os meus comentários parar a uma lista de aprovação e fiquem lá esquecidos.)

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