Emprego Fresquinho

Insólito. Quando achamos que já nada nos pode surpreender em matéria de incompetência do Estado português face ao drama do desemprego eis que o Instituto de Emprego e Formação Profissional envia uma carta aos desempregados, com e sem formação superior, a oferecer-lhes um futuro promissor como…vendedores de gelados. Em dois modelos, cito a carta, quiosque ou piaggio. Numa parceria entre a Unilever/Olá/ Pingo Doce e o Estado. Metade desta inovação científica inédita, sublinho, metade, é financiado por nós, contribuintes da Segurança Social. O Pingo Doce explica ainda na carta que assim pretende contribuir para baixar o desemprego, uma missão que abraçou. A carta repete ainda a palavra empreendendorismo umas 20 vezes, não vão os desempregados perder esta oportunidade de uma vida.

Estou a imaginar-me em casa com um curso em bioquímica, mestrado, duas pós-graduações, a viver em casa dos pais aos 37, depois de ter trabalhado em shoppings e afins receber uma cartinha destas do IEFP; ou operária aos 52, com filhos adolescentes, com o subsídio de desemprego a acabar, o marido desempregado e deprimido, e abro a caixa do correio e…Epá ou perna de pau?

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2 thoughts on “Emprego Fresquinho

  1. Raquel desde 2008 que estou inscrito no iefp. Logo que terminei um curso profissional que diziam ter muita saída, tbem financiado pelo estado. O curso foi muito bem administrado e era muito exigente, o que não é comum para um curso de nível 4. Muito se deveu aos meus formadores que foram profissionais e amigos notáveis, não aceitando burrice que até no meu caso era sim preguiça e desmotivacao.

    Desde essa altura procurei trabalho na área pelo iefp. Passado 1 ano resolvi abrir o leque a qualquer trabalho, precisava de trabalhar. Mudei de casa 3x e nessas 3x tive inscrito em 3 iefp diferentes. Nunca, até hoje, tive um trabalho a partir do iefp, nem de trolha! No meio disto ainda dei progressão aos estudos para o ensino superior, mas nunca deixei de precisar de trabalhar.

    Tudo o que encontrei foi a bater porta em porta afinando o meu discurso, melhorando sempre por mim próprio. Não lhe digo que isso me enche de orgulho. Não posso ter orgulho de dizerem que é preciso ter a formação X para trabalhar naquela área e as empresas porém pessoas sem formação para essa area ou o iefp formarem em lote com muito menos qualidade e exigência. É preciso dizer que todos sabem, inclusive os empresários, a reputação do iefp e a falta de ética na medida que não preparam os jovens para a falta de vergonha dos empresários.

    No meu curso superior tive cadeiras, inclusive direito, que me preparou. Os jovens que acabam um curso no iefp acaba por ser um polivalente sem direitos e sem um ordenado adequado às funções.

    Não encontro utilidade para o iefp. O que mais me custou foi sempre a forma como me trataram, como se fosse um delinquente. Exigiam que lá fosse mas não pagavam a deslocação, numa altura que mal tinha para comer.

    O iefp serve para receber apoios públicos e distribui-los, nada mais.

    Considero que devia de ser instinto. Os cursos passavam a ser administrados pelas secundárias e politécnicos. Os desempregados eram registados na segurança social. O emprego seria tratado de uma forma mais séria se não houvesse todo este circo.

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