“working class”

Vejo que os operários mortos hoje da construção civil, que ainda não têm nome na comunicação social, já passaram para nota de rodapé face a mais um “última hora, tiroteio numa Universidade dos EUA” – é a última hora de uma história que dá a quase todas as últimas horas. Acho que ambas as mortes são evitáveis e uma não tem mais valor do que a outra, nem a do estudante nem a do operário – é tudo, igualmente triste, muito triste. Mas os operários da construção civil neste país, os que mais morrem em trabalho, que constroem as nossas casas, perdoem-me o dramático toque brechtiano, são desprezados para lá do aceitável. Por uma razão – são força de trabalho de fácil reposição. Uma vez estava a conversar com um estivador belga que me perguntou se havia muitos estudos sobre o trabalho nas universidades. Não, respondi-lhe, é aliás raro. «Porquê? Não gostam da “working class?”» – perguntou-me. Eu respondi-lhe que talvez a maioria nem sequer reconhecia que existia “working class”. Ele esteve vários segundos a rir – profundamente.

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