Alerta Vermelho no SNS

Gosto muito de uma frase da bastonário da Ordem dos Enfermeiros: «já sabemos quanto custa salvar um banco, agora queremos saber quanto custa salvar uma vida». Uma semana separa a apresentação de dois estudos sobre médicos em Portugal. os autores não se conhecem, nunca, que eu me lembre, se cruzaram. O nosso, da UNL, demonstra, entre outras conclusões, que não são os métodos de gestão, propagados, mas a utilização dos recursos ao limite, não só de médicos mas de enfermeiros, técnicos de diagnóstico, e outros, mas sobretudo médicos internos que aguentam a intensificação brutal do SNS. O outro estudo, do ICS, apresentado hoje, cujos autores e estudo detalhado ainda desconheço, mostram, de acordo com a imprensa, os níveis de esgotamento elevadíssimos, e, no caso dos internos, ainda maiores. É neles que o burn out é maior. Esgotados, entram com baixa, desmoralizam-se, não colocam todo a capacidade instalada a funcionar. Se os autores de ambos os estudos se desconhecem mutuamente e não fizeram variáveis que cruzem ambos, não podemos cientificamente já dizer que há uma causa efeito. Mas certamente que podemos desde já estabelecer uma correlação, ou seja, uma hipótese fortíssima que estamos a gastar os nossos recursos ao limite, sem os repor. Gerir a saúde para dar lucro é uma tragédia. O SNS é das coisas mais importantes de dez milhões de portugueses, não é a pequena política do dia a dia que enche manchetes. Um Ministro que lê ambos deve parar para reflectir – é como se se chegasse a uma barragem e se retirasse de lá a água, sem a repor – é isto que ambos os estudos, reitero, sem nos conhecermos antes, estão a dizer. Num país a sério seria um alerta máximo, um sinal vermelho de perigo de vida, para eles, profissionais de saúde, para todos nós, que somos por eles cuidados.

https://www.publico.pt/2015/06/21/sociedade/noticia/ha-medicos-a-trabalhar-mais-de-60-horas-por-semana-e-isso-provoca-burnout-1699548

cartaz-estudo

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One thought on “Alerta Vermelho no SNS

  1. «Num país a sério seria um alerta máximo, um sinal vermelho de perigo de vida, para eles, profissionais de saúde, para todos nós, que somos por eles cuidados.»

    E, é por estas e por outras é que eu digo que este é um país de “gentinha” (pequenina, em termos de mentalidades) e não entendo onde vão as pessoas inteligentes buscar o seu optimismo…

    O que os médicos e enfermeiros que têm respeito por si próprios e também sentido de dignidade fazem, é simplesmente não aturar este tipo de “condições” de trabalho e ir-se embora – tal como já vi eu a viver no estrangeiro (e felizes da sua vida). E, com isto, o problema da falta de recursos (neste caso, humanos) só se agrava…

    O que as pessoas que continuam a votar nos partidos do sistema (ou a não fazer absolutamente nada, em termos políticos) estão literalmente a fazer, é a cometer um suicídio retardado. Pois, quando chegar a vez delas de serem atendidas de urgência… “Ups, lá morreu mais um que está a mais, por falta de atendimento – e que deixa, deste modo, de consumir preciosos recursos naturais…”

    O que fazer, perante esta incrível e enorme passividade?

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