Quero comprar um carro velho

Coisas simples da vida que se tornam difíceis. Ando à procura de um carro velho e bom. Pensei que velho e bom só eu queria, estava fácil, neste mundo de glorificação da juventude, da beleza sem marcas da vida. A história porém tem sido mais complexa do que eu pensava. Primeiro porque a minha relação com os carros é a da maioria dos homens com uma loja feminina – ficam à porta e passado 2 minutos perguntam «já escolheste?», ou seja, desinteresse total. Escolhi? Não, ainda estou a maravilhar-me com as cores, ainda não cheguei ao tecido.
Olho para os carros, vejo e aborreço-me sem limites, bocejo, não distingo marcas, modelos, e fico espantada com o saber alheio sobe o tema, que inclui animais, cavalos, e apelos sexuais, potência, e formas de corpo, o modelo. É a parte que me encanta, as palavras dos amantes de carros, do carro porém só sei que nada sei. Quero um carro seguro, e barato, pode ser velho e feio, não quero subir na simbologia da mobilidade social, quero só levar os miúdos e as pranchas de surf. Pode ser? Não é bem assim, descobri. De facto isto tem sido uma enorme chatice por duas razões. A primeira é minha, é subjectiva, quero que seja a uma pessoa de confiança, não quero pagar a intermediários, ou seja, o leque fica reduzido, por culpa minha. A segunda porém foge ao meu controle – é o incentivo Estatal ao consumo de carros novos. Em nome da economia verde e outras chanchadas há um incentivo fiscal punitivo que força as pessoas a comprarem carros novos, não permitindo o acesso dentro da cidades a partir de determinado ano, penalizando com impostos caros carros antigos, etc. Está-se mesmo a ver que deitar um carro velho com boa mecânica fora e substituir por um novo cheio de electrónica verde (ainda que uma parte substancial aldrabada pelas marcas, e tudo isto com isenções e perdões fiscais – pagos por nós – às multinacionais automóveis por serem “amigas do planeta”) seja uma protecção que a mãe natureza estava mesmo a pedir.

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2 thoughts on “Quero comprar um carro velho

  1. Como alguém que sempre teve carros velhos, em final de vida, também por não ligar nada aos mesmos – e que olha para eles como quem olha para um electrodoméstico, ou simples aparelho/ferramenta utilitário/a – (por mim, até prefiro carros velhos, pois é da maneira que não tenho de me preocupar com o possível roubo dos mesmos) posso-lhe dar uma simples dica (e que é apenas uma, porque também não sou propriamente um entendido no assunto)…

    Os carros da marca Honda têm motores mesmo muito bons, que são bem potentes e que duram muito mais do que dura toda a carroçaria dos respectivos carros. Isto é, pode estar o carro já literalmente a cair aos bocados (como já tive dois) e motor continua sempre a funcionar bem e com “pujança”. Sendo que, só me livrei eu do último Honda em que andava, por o mesmo já não passar uma próxima inspecção, apenas por deterioração da carroçaria (/fuselagem, /exterior do carro – e não do seu modo de funcionamento) – e tendo sido este vendido a alguém que sabe mexer em carros e que o iria restaurar.

    Quanto à compra de carros, vendi este Honda de que falo em menos de 24 horas no OLX. E, sei que neste sítio na Internet se fazem muito bons negócios. Mas, se quer você comprar um carro a uma pessoa de comprovada “confiança”, será difícil fazê-lo em tal sítio… Talvez o melhor, seja perguntar ao seu mecânico, se for ele uma pessoa de confiança(?).

  2. Quanto ao facto de não se permitir este tipo de carros circularem nas cidades de maior tráfego automóvel, há uma muito boa razão para isso… (E, que não tem a ver com a treta do “aquecimento global” – que sabem muitos que é mentira).

    Os carros antigos *precisam* de gasolina que contenha chumbo. Sendo que, por já não terem as actuais bombas de gasolina combustível com chumbo na sua composição, é preciso acrescentar um aditivo deste metal, de cada vez que se abastece um carro antigo com gasolina sem chumbo. E, o chumbo é algo de muito nocivo à saúde de todos. Tendo até estado no centro de uma grande polémica, quando se constatou este facto negativo. E, tendo sido a inicial gasolina com chumbo continuado a ser usada de qualquer modo, porque acabavam por ser mais os benefícios (ambulâncias que podiam circular etc) do que os malefícios causados pelo uso em grande escala desta substância tóxica.

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