Why dock workers can change the world

 

Quando disse na conferência mundial sobre automação nos portos nos EUA, há um mês, aos estivadores, que eles tinham a força que politicamente quisessem ter – o céu é, para eles, o limite – a representante dos patrões dos portos no Diálogo Social Europeu, aí presente, Lamia Kerdjoudj-Belkaid, disse, logo a seguir, que eu estava errada porque existia concorrência nos portos, e os patrões vão para onde é mais barato descarregar. Chantagem sobre quem trabalha, em resumo. A tensão entre a minha proposta e a dela foi evidente, mas teve o mérito de confrontar posições realmente antagónicas e que representam interesses distintos – e irreconciliáveis, na medida em que não é possível subir lucros, a uma taxa média, e salários em simultâneo, no quadro de declínio que estamos a viver neste monstruoso ocaso do modo de produção capitalista. Eu sugeri redução do horário de trabalho sem redução salarial, tempo para viver, ser por isso livre, produzir e usufruir do que se produz, a minha oponente não sugeriu nada a não ser que os “trabalhadores dialoguem” e aceitem a automação no “espírito do diálogo” porque há “concorrência”. Só há concorrência, expliquei, se não há cooperação entre os estivadores dos portos.

De um lado uma proposta clara – os lucros da tecnologia devem ser alocados a tempo livre para quem trabalha – os estivadores; do outro a tradicional chantagem com oferta de indemnizações para despedimentos e medo, muito medo, tenham medo! O que era do mundo sem patrões privados nos portos?
Se os estivadores não se organizarem internacionalmente serão destruídos, substituídos não só por máquinas, mas sobretudo por eles próprios, e os seus filhos, a metade do preço – se porém estiverem todos no mesmo sindicato, com uma política como tem o IDC que não aceita o trabalho precário nem cortes salariais, os patrões não têm para onde ir e são obrigados a aceitar as condições impostas pelos trabalhadores. Marte e Vénus não são opções para descarregar mercadorias – a globalização só é uma chantagem sobre quem trabalha porque não há internacionalismo, ou seja, organizações políticas nacionais que se coordenam à escala mundial para defender condições de trabalho dignas. O IDC é uma excepção. O modelo jus in time, a cadeia produtiva de dependência global, deu aos trabalhadores uma força que eles não sabem, nem sonham. Estivadores de todo o mundo: uni-vos pela divisão do trabalho para todos!

Miami, 27 de Setembro de 2016, Conferência Mundial sobre as consequências da automação no trabalho nos portos. A Conferência mundial do IDC reuniu 300 delegados de todo o mundo, representando 100 000 estivadores.
http://www.idcdockworkers.org/…/662-the-idc-general-assembl…

O power point do nosso estudo sobre automação está online na página do IDC
http://www.idcdockworkers.org/…/660-automation-in-ports-and…

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