Falta de relações coletivas deprime sociedade portuguesa

A ausência de tempo livre e sobretudo a repetição ao longo do dia de tarefas impostas de fora, para as quais não contribuímos a não ser na fase de execução (cada vez menos para pensar o que fazemos no trabalho, questionar e cada vez mais executar num comando militar de gestão imposto de cima) leva à padronização das relações afectivas – o tapete rolante dos tempos modernos é o ir para casa, lavar, cozinhar e ficar catatónico em frente da TV/computador. Temos muitas relações superficiais, rápidas mas poucas densas, de afecto, uma parte disso tem origem na hierarquia dos locais de trabalho, que se transforma, por contaminação, numa relação hierárquica no seio das relações pessoais, familiares, são relações desiguais, de poder, e não horizontais, de divisão das responsabilidades e direcção. São também, pela padronização da divisão do trabalho, relações rotineiras, monótonas, repetitivas. Os afectos vivem cada vez mais o ritmo da divisão social do trabalho – a alienação pela repetição. E a monotonia é a morte do amor, ou, dito de outra forma, a ausência de criação é a morte da humanidade enquanto tal.

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