Debate sobre Trump

A quem tenha paciência e interesse ontem estivemos num debate 5 horas sobre os EUA – uma maratona na TVI 24. Nessa maratona, com posições ideológicas tão distintas como eu, Jaime Nogueira Pinto, Tiago Moreira de Sá, Lívia Franco debatemos a composição social dos EUA e a distribuição de votos; Obama care; O falhanço do Partido Democracta; o assistencialismo, pobreza (levei os dados da insuspeita e conservadora Universidade de Stranford); a cintura industrial dos estados do norte; o papel de Trump na construção de um muro já erguido por ele, o muro construído com a igreja/nação/família como barreira entre sindicatos tradicionais e movimentos sociais novos (Black Lives Matter, 15 dólares, occupy wall street) os sindicatos e a relação com o Partido Democrata; crise de 29 a América retratada no cinema; a crise mundial do capitalismo e o seu suicídio ou sobrevivência; o politicamente correcto…e mais, pode ser revisto na box entre a meia noite e trinta e 5 da manhã. Não tenho resumo, porque uma situação desta complexidade não se resume facilmente. Trump não é fascista e classificar de fascismo (que é a guerra civil apoiada em milícias da pequena burguesia, ilegalização de sindicatos etc), algo que não vejo como impossível de vir a ocorrer no mundo ocidental nas próximas décadas, mas que não existe hoje, é um erro. Trump é de direita, proteccionista e conservador, demagógico e grunho. Mas não é fascista. O império norte-americano é hegemónico política e militarmente – Trump não vai alterar para já a política externa que depende, quer financeira quer politicamente, de muitas outras instituições. Nada se vai alterar muito até à próxima recessão, porque o proteccionismo de Trump vem agarrado a uma situação real que já existe, queda do comércio mundial, queda das importações/exportações EUA e aumento real do desemprego ou emprego com salários abaixo da reprodução biológica. Não é política as usual mas não é fascismo, ainda. A imprensa foi a maior derrotada destas eleições. O seu candidato quase hegemónico a nível mundial perdeu. Ficámos a saber que nem o dinheiro nem a imprensa compram tudo. O que começou no Brexit chegou rapidamente aos EUA – a política proteccionista da classe dominante, que não a vai salvar, mas está aí e a sua cara é Trump. A crise da social democracia – ou do PD – é irreversível: está provado que a pauperização capitalista – que o próprio JNP citou citando Marx – não tem atenuação nos food stamps – as classes trabalhadores querem emprego, não querem assistência social. Ou a esquerda migra para a politica do pleno emprego ou leva as classes trabalhadora para o colo da direita.

Advertisements

5 thoughts on “Debate sobre Trump

  1. Sim, isto é a reação do distanciamento entre as classes sociais. As classes políticas estão a cavar um tremendo fosso na sociedade, ou se tem muito dinheiro ou não se tem. É tão estranho não terem a percepção da necessidade da distribuição da riqueza através do pleno emprego com salários dignos…estranho e incompreensível.

  2. A “direita liberal” e a “esquerda democrata” não acredita na dignidade dos vencidos. Por quanto mais tempo será suportável a discussão sobre a culpa dos “de baixo” pela sua condição?

  3. Bem dito, Dr.ª Varela.

    Uma boa correcção do que disse você aqui anteriormente, quando escreveu que Trump era um fascista: h*tps://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2016/07/30/e-uma-pena-ser-mulher/

    Ele pode ter muitos defeitos, mas fascista não é um deles. E, fascistas a sério, são por exemplo os nazis que se reorganizaram após a derrota na Segunda Guerra Mundial, para montar a União Europeia que temos – atingindo, deste modo, o seu objectivo de criar um superestado europeu, antes por meios reformistas. (h*tp://blackfernando.blogs.sapo.pt/a-vitoria-do-brexit-podera-ser-algo-de-88896)

    Quando à “classe dominante”, nem Trump nem Farage fazem parte, ou são fantoches, da mesma. E, fantoches da classe dominante são os políticos e média de massas que repetidamente demonizam este tipo de líderes anti-globalização capitalista e a favor das soberanias nacionais.

    Trump é um mero bilionário, que apenas começou a fazer fortuna há poucas décadas. Os verdadeiros ricos e a verdadeira “classe dominante” são as famílias reais e da dita nobreza europeia que – com as suas rendas, propriedades e companhias detidas por meros testas-de-ferro – andam há *séculos* a acumular riqueza de forma discreta – riqueza essa, que se mede em *centenas de quadrilhões de dólares* e que é obviamente escondida, em bancos suíços e afins, para não gerar uma enorme revolta social. (h*tp://forum.prisonplanet.com/index.php?topic=43444.0)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s