Lady, welcome to America!

Ontem regressei de Miami, vinda de uma conferência. Um taxista levou-me do hotel ao aeroporto. Um negro, simpático, que conduzia e bebia gelo num copo, apesar do ar condicionado glaciar dentro do carro. Perguntou-me para onde eu ia, para saber de onde eu era. Para Portugal. É a terra do Cristiano Ronaldo? Também, respondi-lhe. Lá faz calor, perguntou-me? No verão sim. Quanto? Não tenho de memória a conversão de Celsius em Fahrenheit, mas talvez 80, 90. Não sei o que é isso senhora. Celsius… É outra medida, diferente de ver a temperatura. Portugal é uma ilha? Não. Fica ao lado do quê? De Espanha, do outro lado é oceano. E quem emite a vossa moeda? Ops! Espera aí, pensei. A maioria das notícias em Portugal nos jornais de referência falam da economia sem perguntar quem emite a moeda, o que é a moeda, o que dá consistência à moeda. É um tipo das Bahamas que não teve acesso a educação formal que me faz a pergunta. A conversa começava a ficar interessante. O Banco Central Europeu – disse-lhe, é o euro, mas na verdade é um marco, e na verdade todas estão dependentes do dólar. E como vocês fazem dinheiro, «make money»? A maioria não faz. É pobre. Mas quantos vocês são? Dentro do país, 10 milhões e meio. Surpreendeu-se: tão poucos e o Governo não consegue dar uma boa vida a todos!. E, continuou, quem make money, como é que o faz? Deixa ver, privatizando serviços públicos, por exemplo, rendas de concessões públicas em transportes, saúde, dívida pública. E o que vocês produzem? (a pergunta de 1 milhão de dólares) – Papel, vinho, cortiça, turismo e…exportamos pessoas, respondi-lhe. Ele fez uma cara, justa, de espanto e percebi que estava a dar a missa em latim. Pedi-lhe desculpa, e expliquei-me: é um país que vive em grande medida do turismo e de mandar pessoas embora que depois mandam dinheiro, divisas; saem de casa e vendem as casas, alugam as casas ou vão-se embora e mandam dinheiro. Ele exclamou: Ah!!!! É como na minha terra, as Bahamas! Ri-me, ele riu-se…É mais ou menos, estamos a caminhar para lá, disse-lhe com ironia. Lady, do que gostou em Miami? Bom…gostei muito da conferência onde estive, muito, mas este estilo de cidade não é bem a minha…viajo muito, gosto de casa…acho…de estar perto de quem amo, dos amigos, são esses hoje os lugares de que gosto…mas, deixe ver, do que não gostei mesmo foi da comida! Ele riu-se, muito: «Lady, welcome to America!».

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2 thoughts on “Lady, welcome to America!

  1. Pingback: Lady, welcome to America! – Museu AfroDigital – Estação Portugal

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