Do Medo à Esperança

«Há crianças que vêem menos sol e ar puro do que os presos. Soubemos esta semana. Estão sós num computador num apartamento. A maior tragédia da história da humanidade, a II Guerra, não teve vitórias, porque quando morrem 60 milhões de pessoas não há vitórias. Mas ensinou-nos como no meio do Apocalipse é possível resistir, ensinou-nos que 3 milhões de alemães foram mortos, presos e perseguidos porque se opuserem ao regime nazi. Meio milhão de franceses entraram nas fileiras da resistência. Ensinou-nos portanto que na maior barbárie há quem resista. Há os que «sucumbem, e os que se salvam». Escrevemos este livro para ajudar a encontrar caminhos contra o medo de hoje. Quem tem medo não compra um cão, constrói uma relação, organiza-se colectivamente, relaciona-se, cuida de, chama os colegas do lugar de trabalho e propões-lhe resistir, tira os filhos da TV, faz amor, em sentido amplo, o amor «faz-se», é um verbo, uma acção – é a relação com os outros que nos salvará de sucumbirmos à solidão individualista, à chantagem social dos lugares de trabalho onde existe um comando militar na gestão – é a acção (e a acção na relação) que muda aquilo que somos».

Apresentação do nosso livro Do Medo à Esperança. Bertrand.
Agradeço ao Paulo Pereira que gravou as apresentações. E aos amigos, colegas, alunos, família que ali estiveram connosco e encheram a sala de carinho e esperança.

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2 thoughts on “Do Medo à Esperança

  1. Raquel dos locais por onde passo, onde há um maior número de pessoas desprotegidas mas alienadas ao sistema elas fazem sempre este tipo de perguntas para se mentalizarem do esforço que fazem nas empresas onde trabalham, são elas:

    – Se não aceitas as regras da empresa vai-te embora, eles põem outro no teu lugar;
    – O ordenado minimo é ridiculo porque a empresa é que devia de decidir quanto pagar de acordo com o que o funcionário dá;
    – Porque as empresas não podem fazer regras contra as que estão no código do trabalho, se o trabalhador aceitar qual o problema;
    – Se não dás vencimento há máquina não estás aqui a fazer nada.

    Outra ideia nas industrias é que os trabalhadores têm de trabalhar ao ritmo que o patrão põe as máquinas, se não aguenta é mudado de secçao e é dos primeiros a ser despedido. São aspetos muito pouco descortinados mas que é o dia a dia de milhares de trabalhadores que se deparam todos os dias com estas questões.

    Convido-a a expor respostas para estas questões nas suas exposições se as achar pertinentes.

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