Será poupança?

Será poupança? Será riqueza? Será acumulação? Salário não é certamente que o salário não cresce assim. O debate não tem rigor económico, porque em rigor riqueza não é lucro, dinheiro não é capital e pode-se acumular e colocar em poupança. E pode haver poupanças de muito trabalho acumulado e dívidas de muito lucro perdido. Afinal, o que vai ser taxado? Se o Bloco de Esquerda distinguisse massa salarial de juro/lucro/renda não caía nestes spins fáceis da direita. Mas isso implicaria uma clareza sobre as classes sociais que representaria, o lado. Não. Ele é de todos os lados. Algo que a direita tem há muito resolvido. Saíram centralizadamente, militantemente, a defender o seu lado. Só podem ser admirados por isso. E a esquerda pergunta-lhes indignada: “quando cortaram os salários não disseram nada?”. Nem tinham que dizer, o papel destes sectores não é defender os salários, mas os cortes deles. Eu sou contra o corte de salários e a rigor sou contra o lucro, a favor da produção de riqueza sem lucro. Acho que um hospital tem que curar pessoas e prestar serviços, não pode produzir lucro. Porque se produzir lucro não cura pessoas. Mas não ando por aqui a queixar-me que o Miguel Sousa Tavares não me defendeu. Se a esquerda tem poucos quadros capazes de a defender o problema não é da direita. A direita em Portugal está organizada, tem quadros, escolas de formação, partidos, jornais e comunicação, que a esquerda tenha como resposta uma sucessão de conceitos atabalhoados não é certamente um problema da direita. Que criou um spin fácil “A Mariana Mortágua manda no Governo” – soa bem, dá capa de jornal, mas é risível: o Governo prepara-se para aprovar um orçamento que inclui o buraco da parte privada da Caixa que vai entrar no défice e que Marcelo Rebelo de Sousa (que tem animadamente jogado o papel de rei-bonaparte do Bloco Central) já avisou que é para aprovar; a TAP está ameaçada de desmantelamento interno, o Metro já está em processo de destruição interna enquanto os sindicatos, afectos ao PC, juraram a AC paz social; o porto de Lisboa vai para o Barreiro produzir mais lucro e menos riqueza – o PCP não se incomoda porque dá mais votos na margem sul – os lisboetas pagam a conta no fim; há mais de 20% de desempregados, 3 milhões de pobres, e o país é uma gigante Flórida onde as pessoas, para sobreviverem, saem de casa para os turistas lá dormirem ou vão aos lares buscar a reforma dos pais. Os pais até nem estão mal no lar porque pior estão os filhos, que também estão lá em casa, com a reforma dos avós, e que se descobrem a vegetar aos 40 anos, sem trabalho, sem futuro. Marcelo com o PS faz-me lembrar aquele título de um filme “Amar-te-ei até te matar”. Talvez Costa faça o mesmo com Mariana, “Amar-te-ei até te matar”.

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