À Bastilha, vestidos!

Eu tenho um fato de surf com capuz. Vai ser proibido? Porque sou ateia posso? É melhor dizer agnóstica que no Estado laico actual já não há ateus, como diz o meu querido amigo Coimbra de Mattos, rindo-se dos políticos que passaram de dizer-se ateus para se afirmarem agnósticos para não melindrar eleitores intolerantes «um agnóstico é um ateu com medo». E divórcio obrigatório para as mulheres islâmicas, também vem aí? Vamos libertá-las! Não deu com bombas – só piorou, na verdade -, despindo-as na praia, pode resultar! Adormecemos num Estado laico e, para defender o Estado laico, acordamos num Estado totalitário que decide até o que as pessoas podem ou não vestir, que roupa é ou não ofensiva e tratam a praia como um departamento governamental de prestação de serviços sujeito a regras das instituições público-administrativas. Para quando um securitas à porta da praia – a praia pode ter porta, para nos proteger, vale tudo… – com um questionário sobre a nossa indumentária e vida privado-afectiva. «A Sra desculpe, bom dia, que lindo dia de sol, primeira questão, a Sra considera-se emancipada?», «O seu marido bate-lhe pela manhã ou faz massagens?». O totalitarismo é um perigo, e não passa a ser menos perigoso porque marcha sob a bandeira da liberdade e da igualdade. À Bastilha, cidadãos, vestidos!

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