Estalinismo

Uma das âncoras do neoliberalismo e do colapso mundial das maiores empresas em 2008 é que só há algo pior que o capitalismo, o socialismo. E o socialismo é…a URSS. Ora, todas as investigações das últimas décadas feitas a partir de arquivos russos provam um corte radical entre o leninismo e o estalinismo, e esse corte dá-se em 1928 – é nesse ano que se dá a colectivização forçada, a introdução massiva do trabalho forçado a uma escala de centenas de milhar até depois da guerra, o início da militarização da sociedade, é nesse ano que nas fábricas a comissão de trabalhadores deixa de ser o órgão mais importante para passar esse papel a ser desempenhado pelo chefe da polícia politica; é nesse ano que as mulheres, que deram com a revolução russa o maior salto de sempre de emancipação passam a ser de novo escravas do lar e da fábrica, com medidas como a reintrodução da proibição do aborto e o encerramento de creches. A ler entre os historiadores mais importantes neste campo, que trabalham a partir de fontes primárias russas, e bibliografia de referências – Broué/Deutscher etc – Marcel van der Linden, sobre a natureza da URSS, Hillel Ticktin, sobre o estalinismo, Wendy Goldman sobre as mulheres, Kevin Murphy sobre as fábricas e a repressão de Estaline aos trabalhadores. O terror culminou com o assassinato de todo o comité central do Partido Bolchevique entre 36 e 39. Alguns links para quem queira ler mais. Defender hoje que isto era bom porque garantia direitos na Europa – posição dos PCs na Europa – é o mesmo que defender que a prisão dos outros pode assegurar-nos a liberdade.

 

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