Não há Freud para tanto banco falido

Não há Freud que chegue para tanto banco falido. Ninguém pode compreender o país actual sem compreender o salário família, a desagregação das relações familiares e o retorno do modelo família do século XIX, todos juntos, juntos na dependência, e todo o efeito psicológico que teve como amortecedor social. 20 anos depois de estudos, trabalhos, ninguém tem dúvidas, a Europa reestrutura a força de trabalho despedindo os com 45, 50, 55 anos, com mais exigências, melhores salários e mais empenho político, que vão para o desemprego e a pré-reforma, e são substituídos por jovens de 30, despolitizados, a ganhar 1/3, que não conseguem viver com esse 1/3 e por isso ou ficam em casa dos pais ou na sua dependência parcial, ou fazem uma brutalidade de horas extraordinárias, está claro que não foram os brandos costumes ou o medo mas o salário família e a exaustão laboral a sustentar este modelo competitivo que já nos coloca com mais de 10% da população a trabalhar 8 horas por dia e mesmo assim não pagar contas elementares como alimentação própria.. Entretanto esvai-se o fundo da segurança social a pagar o que não entra. Saem a ganhar 1500, os que entram ganham 500. As vidas consomem-se também porque o conflito laboral passa a ser um mítico «não conflito» amparado pela família – o jovem não luta na empresa por condições de vida e salários acima da reprodução biológica, pede aos pais (e acha natural fazê-lo!!!), a parte do salário que não lhe é paga pelos patrões na forma de quarto, comida, colégio dos filhos, férias que os pais pagam. E os pais vão ficando sem reforma a «ajudar» os filhos, ou diria eu a ajudar os patrões a não elevar salários. Um dos maiores despedimentos colectivos de sempre no país – o anunciado na caixa – para salvar capitais privados de um banco público, a Caixa, só por eufemismo se pode dizer que não há despedimentos, são «rescisões voluntárias». o Estado Social está em causa, as vidas de pais e filhos em casa aos 40 anos já fazem parte da antologia das neuroses sociais, os pais descobrem-se aos 65 sem dinheiro para nada, com uma reforma em frente da TV, que paga pais, filhos e netos. Eles, com 40, descobrem que sem a responsabilidade social organizada pelo trabalho não cresceram – na verdade não descobrem, andam a apanhar pokemons e agências de rating, vacas voadoras e outros objectos não identificados.

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One thought on “Não há Freud para tanto banco falido

  1. Mais uma vez se está a criar “bodes expiatórios” para o falhanço que é de todos. É certo que há responsabilidades diferentes neste falhanço mas volto a dizer o falhanço é de todos. Compreendo que possa ser complicado assumir, até por uma questão de egocentrismo, que a nossa acção ou inacção seja responsável por um numero tão avultado de vitimas mas os assuntos devem ser abordados com honestidade intelectual que merecem. Seria interessante quantificar o sofrimento e a felicidade dos cidadãos ao longo de uma vida, penso que seriamos confrontados com discrepâncias que facilmente nos levaria a concluir que há quem consiga ter uma boa vida com a “má sorte” dos outros.

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