A revogação da lei como serviço mínimo

O governo decretou como serviços mínimos que os estivadores têm que descarregar cereais para os porcos comerem, se a greve fosse derrotada e os estivadores passassem a ganhar 600 euros os produtores de porcos, já em crise, vão vender ainda menos porque as pessoas não têm dinheiro para comprar carne nem para viver. O salário mínimo não permite pagar o mínimo para habitação, roupa, alimentação e transportes. Apesar de trabalharem 80 horas por semana desde janeiro os estivadores estão com os salários em atraso – sobre isso o governo não faz o mínimo. É incompreensível que isto seja permitido – salários em atraso com empresas a tornarem públicos lucros de 6 a 10%. Na verdade o governo disse ” os porcos têm que comer, os estivadores não”. Sobre os serviços mínimos cabe-me dizer o seguinte: tirando doentes urgentes e casos de vida , tudo o resto não são serviços minímos, são uma forma de colocar em causa o direito constitucional à greve. Os partidos de esquerda que façam a única coisa legítima – revoguem a lei dos portos que autoriza empresas negreiras de trabalho semi escravo. Escrevo-vos do plenário dos estivadores do porto de Lisboa onde disse que sou a favor do fim de qualquer discriminação -todas – disse-o aqui, mas gostava de ver a maioria de esquerda lutar pelos salários dignos com o mesmo afinco com que lutam pela adopção por casais homossexuais ou pela procriação medicamente assistida. O direito a viver do trabalho – e não da assistência social – é o direito à vida que se deve sobrepor aos obscenos lucros de quem não percebe que um porto não é um negócio, é um serviço público, essencial. Que os estivadores lutem pelo salário em vez do rendimento mínimo devia ser um motivo de orgulho nacional e não de inveja. Estes homens que trabalharam 80 horas por semana e não receberam são uma mancha num governo que ou revoga a lei ou deixa de chamar-se de esquerda. Sou coordenadora nacional do estudo do trabalho portuário – conheço como muito poucos o que aqui se passa e passou – mas estou aqui também como cidadã: o silêncio perante a injustiça é cumplicidade com o prevaricador. Quem cala consente. Quem se cala com a desculpa das questões de forma secundárias – tatuagens, petardos ou gritos – oculta de facto a escolha política essencial de conteúdo de ficar do lado de quem escolheu o caminho do canibalismo social.

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