25 de Abril

Os meus leitores são livres de hoje e no futuro escrever o que quiserem sobre os meus livros. Eu também. O livro mais importante que escrevi na vida é este, mais importante que qualquer outro que fiz com paixão e dedicação. Mas este é especial. Porque a quase uma década de arquivos que me permitiram reconstituir a história da revolução mudaram o meu olhar sobre o futuro – para melhor. Aprendi que há futuro, que «todo cambia», mesmo quando parece parado. Aprendi que de facto o papel dos intelectuais não é tornar o desespero convincente mas a esperança possível, e ela foi possível na última revolução europeia do século XX e uma das mais importantes de toda a história. Talvez, pela composição social, urbana, operária, de serviços, qualificados, e mulheres, a primeira do século XXI. Feliz 25 de Abril!
 
«Os leitores encontram nesta História do Povo na Revolução Portuguesa uma história dos resistentes, dos «sem voz», daqueles que habitualmente não ficam na história, soterrados por decretos, declarações diplomáticas, jogos de bastidores e lutas políticas. Não encontrarão aqui uma história da guerra colonial, mas a história da resistência ao trabalho forçado ou a história da resistência à guerra. Não descobrirão aqui a história da queda dos governos provisórios, mas a história do controlo operário que levou à queda da coligação que tentou governar aquele estranho povo da Ibéria que não se deixava governar, mas que estava a aprender, pela primeira vez, a governar-se a si próprio; não lerão aqui a indispensável história dos partidos políticos, mas sim a dos trabalhadores, em sentido amplo; não poderá aqui o leitor encontrar a história das relações diplomáticas – tão intensa à época –, mas estarão aqui as referências aos movimentos de solidariedade entre países feitos pelos «de baixo».
Não sejamos inocentes – uma história total, ambicionada por todos, não é só a história dos resistentes. Mas não pode ser feita sem a história dos resistentes. Dos que não aceitaram as ordens sem primeiro as contestar, discutir e votar. E assim elas deixavam de ser ordens e passavam a ser aquilo que foram em grande medida no biénio de 1974-1975: decisões coletivas sobre a forma como uma sociedade quer viver.»
1508-1
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