Patetas e latitudes

Quem na Europa está a ver em directo o Brasil comentando o atraso, a falta de chá, a piroseira, o baixissimo nível, com um certo tom eurocêntrico que observa de longe os bons selvagens, com escárnio e piedade, lembro que o record até hoje de gestos ridículos ainda está connosco – Hitler não foi só um monstro, foi de longe o mais patético de todos os líderes, da mãozinha mal segura que nem a maldita saudação nazi fazia direito, aos dentes cerrados e lábios juntos no bigode parolo, às pausas com olhares esgazeados, ao cabelo coladinho à testa, com risco ao meio. Há, lamento dizer-vos, caros europeus e norte-americanos, um Trump à espreita para encarnar no corpo do mais desesperado empresário a perder dinheiro. E é de mau gosto em qualquer latitude do mundo, incluindo no Brasil, onde tive alguns dos melhores alunos e colegas de sempre, devo talvez metade do que aprendi a um punhado extraordinário de intelectuais brasileiros com quem há mais de uma década já trabalho. O problema não é geográfico, é de classe mesmo, ou de falta dela.

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